Casal aventureiro conclui uma das maiores expedições multiesportivas já realizadas

Quando os exploradores-documentaristas Fernanda Lupo e Márcio Bortolusso apresentaram o seu improvável objetivo há pouco mais de um ano poucos acreditaram que seriam capazes de realizar algo tão grandioso e arriscado.

Mega desafio nunca antes ousado por qualquer aventureiro, durante doze meses e mais de vinte mil quilômetros, da Amazônia ao sul do Brasil, o extraordinário projeto 6 Hard Xpeditions foi uma jornada científica-exploratória verdadeiramente extremista e com formato inovador no cenário mundial. Parte de um desafio ainda maior que se estenderá até 2020 e na contramão do “mercado Outdoor” ao evitar clichês midiáticos destinados ao grande público – como os já massificados Everest, Sete Cumes, mergulho com tubarões, etc. -, segundo importantes jornalistas, publicitários e atletas, foi uma das maiores expedições multiesportivas já realizadas.

Normalmente expedições não são realizadas em sequência. Ao retornarem de uma grande empreitada aventureiros necessitam de meses ou até anos até partirem novamente, devido à inúmeros trâmites logísticos (treinos, pesquisas, autorizações, etc.) e pelo elevado risco, custo e desgaste físico e psicológico. Além disso, geralmente cada explorador possui uma única especialidade, como um montanhista que se concentra apenas em técnicas de escalada ou um remador que se limita à alguma modalidade em mar ou corredeiras.

De modo impressionante, além deste casal possuir um raro expertise multiesportista, com amplo conhecimento em várias atividades bastante complexas – Mergulho em Cavernas, Canoagem Oceânica, Escalada de Grandes Paredes, Ultramaratona, Canionismo, Stand Up Paddle, etc. -, após seis anos de minuciosos preparativos e árduo treinamento Fernanda e Márcio executaram com sucesso seis expedições extremas e pioneiras praticamente em sequência. Detalhe, dispensaram equipes de apoio e carregadores, adotaram rotas consideradas impossíveis, durante os desafios utilizaram apenas tração humana e não realizaram intervalos, boicotaram guias e animais de carga, encararam situações perigosas constantemente, entre outras ousadas escolhas minimalistas.

Com inigualável energia, coragem e capacidade técnica, a dupla viveu incontáveis experiências de sofrimento e prazer, confinados por semanas em alguns dos terrenos mais perigosos do Montanhismo nacional ou em complexas navegações cruzando zonas temidas até pelas Forças Armadas, pendurados em penhascos em árduos turnos de até 24 horas ininterruptas, arrastando até 170 quilos de carga, remando contra fortes ventos e correntes, chafurdando em águas barrentas infestadas de cobras e jacarés e pernoitando em áreas com a maior concentração de onças do país, castigados com grandes hematomas e severas lesões, suportando sensações térmicas de -10 à até +45 ºC, passando sede ou sorvendo água de poças insalubres, com direito à sustos com perigosos búfalos ou sorrateiros jacarés, caçadores e pistoleiros noturnos.

E o que é ainda mais inacreditável, como é comum em suas explorações, enquanto lutavam contra a extrema fadiga e para se manterem vivos, com apoio de entidades como SOS Mata Atlântica e Sociedade Brasileira de Espeleologia ainda desenvolveram valorosas pesquisas e ações ambientais com descobertas inéditas, como inéditos inventários de espécies, cavernas e nascentes e análises químicas da qualidade da água de córregos, rios e mares de paradisíacas áreas ameaçadas.

OS SEIS DESAFIOS EXTREMOS DO CASAL

Tudo começou com a exigente escalada da imponente face sudoeste do “Pico Sem Nome”, uma das mais impressionantes e isoladas montanhas da extensa Serra da Mantiqueira, uma das últimas do Brasil com longas encostas rochosas com mais de dois mil metros de altitude que permaneciam sem vias de Escalada. No total, foram 22 dias de tensão e martírio ao lado dos escaladores Kelvyn Medeiros e Diego Moreira.

Na sequência, se embrenharam em labirintos remotos do maior arquipélago fluviomarítimo do planeta e realizaram uma das mais duras expedições de Canoagem já empreendidas em rios da Amazônia, sob forte tensão no “pior trecho de pirataria do Brasil” – centenas de quilômetros interligando rios separados por isoladas nascentes obstruídas por densa vegetação, remando contra poderosas correntes ou até correndo dezenas de quilômetros sob sol escaldante.

Uma das mais duras expedições de Canoagem já empreendidas em rios da Amazônia © Márcio Bortolusso

Sem tomar fôlego, empreenderam uma das maiores explorações de cachoeiras do mundo, que resultou na maior descida de montanha do Brasil (~1.900 metros de desnível), palmilhando pela primeira vez uma das mais altas e belas quedas d’água da América Latina (conjunto com quase 500 metros e rapeis de até 250). Após identificarem as mais altas nascentes de uma das mais importantes bacias hidrográficas do Sudeste, com o reforço dos canionistas Anor Sassaron e Juliano Hojah travaram uma luta pela sobrevivência, se arrastando por sete vertiginosos quilômetros, realizando dezenas de rapéis com 120 quilos de carga, sob blocos soltos e afiados que destruíram suas resistentes cordas.

Maior descida de montanha do Brasil (~1.900 metros de desnível) © Fernanda Lupo

Em uma das atividades ao Ar Livre mais complexas e perigosas, com o suporte do mergulhador João Andreoli iniciaram o primeiro inventário de cavernas submarinas de um arquipélago brasileiro. Em pontos de difícil acesso do Arquipélago de Ilhabela exploraram, registraram e mapearam cavidades para catalogação no Cadastro Nacional de Cavernas, às vezes sob fortes refluxos em passagens estreitas, trabalhando com suas câmeras, trenas, pranchetas e carretilhas com poucos metros de visibilidade (mesmo com lanternas) e chacoalhando entre paredes afiadas que resultaram em equipamentos avariados, escoriações ou espinhos de ouriço pelo corpo.

Primeiro inventário de cavernas submarinas de um arquipélago brasileiro © Márcio Bortolusso

De Ilhabela o casal partiu para uma exaustiva ultramaratona de centenas de quilômetros percorrendo toda a costa oceânica do Uruguai, desde o Brasil até a fronteira com a Argentina – correndo com 15 quilos nas costas, por infinitas dunas escaldantes e sem os auxílios normalmente comuns em competições – sinalização, postos de água e alimentos, médicos, alojamento com banheiro, prêmios ou outros corredores para motivá-los. Haviam combinado que “mesmo diante do pior incidente um dos dois teria que concluir esta expedição”. Assim, após uma severa lesão neutralizar um deles, apesar das dificuldades (tornozelo torcido, unhas prestes a cair, joelho travando, etc.), um dos aventureiros bravamente completou mais esta façanha pioneira.

Ultramaratona de centenas de quilômetros percorrendo toda a costa oceânica do Uruguai, desde o Brasil até a fronteira com a Argentina © Miriam Chaudon

Sem perder a motivação, executaram uma das mais insanas travessias de SUP já realizadas, palmilhando por semanas centenas de quilômetros de uma das regiões mais belas, isoladas e ricas em biodiversidade do Brasil, cruzando labirintos inexplorados formados por milhares de ilhas e canais, noite adentro, arrastando pesada carga por florestas e manguezais traiçoeiros e quase impenetráveis, devorados por milhares de mosquitos em sofridos pernoites sobre uma instável barraca armada sobre suas pranchas, despertando a cada meia hora com medo de serem arrastados pela alta maré, etc.

Travessia de SUP por centenas de quilômetros de uma das regiões mais belas, isoladas e ricas em biodiversidade do Brasil © Márcio Bortolusso

DOCUMENTÁRIO E OUTRAS AÇÕES DO CASAL

Com logísticas complexas e custosas, o projeto 6 Hard Xpeditions se tornou realidade graças à confiança dos seus patrocinadoras Duracell, LG, Gore-tex e Brasil Kirin e de dezenas de apoiadores que colaboraram com a viabilização de cerca de 300 equipamentos e serviços, além de cursos e treinamentos que vão de Primeiros Socorros para Áreas Remotas, mergulho noturno e em cavernas à incomuns sessões de apneia carregando pedras no fundo do mar.

Aparentemente insana, a inédita jornada deste insólito casal rendeu inúmeras histórias recheadas de fortes emoções, vivenciadas junto à culturas riquíssimas e em algumas das regiões mais selvagens do Brasil – avistaram baleias e bandos isolados de primatas, remaram entre lontras e dezenas de golfinhos, nadaram em rios repletos de jacarés e piranhas, cruzaram colônias de lobos marinhos e se impressionaram com rastros de onças e aves raras como um belo exemplar de tucano ao qual desconhecem registro.

Fernanda e Márcio enfim retornaram para o seu porto seguro e, apesar de ainda estarem se recuperando de algumas lesões, em breve prometem apresentar as alegrias e desventuras vividas nesta que foi a maior aventura das suas vidas em uma websérie, em palestras, nas suas redes sociais e ao final em um documentário.

Não fique de fora, acesse o site www.6HardXpeditions.com, se cadastre em suas contas e viva de perto esta inspiradora aventura!

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