Barkley Marathons termina sem finalistas pelo segundo ano consecutivo

A lendária Barkley Marathons, considerada uma das provas de ultrarresistência mais brutais do mundo, encerrou sua edição de 2026 sem nenhum finalista, repetindo o resultado do ano anterior e reafirmando sua reputação de “impossível”.

A combinação de largada antecipada — a mais cedo em 40 anos de história da prova, às 6h de sábado, Dia dos Namorados — e condições climáticas adversas provou-se decisiva. Chuva intensa a partir da noite de sábado transformou o trajeto em um lamaçal, enquanto neblina densa e temperaturas baixas desorientaram e exauriram os competidores ao longo das mais de 120 milhas (cerca de 192 km) e ganho de elevação significativo distribuídos em cinco voltas.

Dos cerca de 40 atletas que iniciaram a prova, apenas 12 conseguiram completar uma volta inteira — o menor índice em quatro décadas de existência do evento. Os últimos dois competidores em disputa foram o francês Sebastien Raichon e o britânico Damian Hall. Raichon concluiu uma terceira volta em 38h05min46s, mas não atingiu o corte de 36 horas necessário para iniciar a quarta volta, recebendo apenas o reconhecimento de “Fun Run” (três voltas completadas dentro do limite de 40 horas). Hall retornou do terceiro loop sem todas as páginas exigidas dos livros escondidos no percurso, sendo desclassificado. O britânico atribuiu a dificuldade extra à neblina densa e às condições frias e úmidas.

Outros nomes de destaque, como o canadense-francês Mathieu Blanchard e o americano Max King, também enfrentaram desafios extremos. Relatos indicam que Hall chegou a correr um trecho do terceiro loop descalço, carregando os tênis nas mãos, enquanto King improvisou galochas com sacos plásticos para tentar manter os pés secos.

A Barkley Marathons, idealizada por Gary “Laz” Cantrell, impõe regras rígidas: sem dispositivos GPS, os corredores recebem um relógio barato ajustado para o “Barkley time” (limite de 60 horas); devem localizar e coletar páginas específicas de 13 livros escondidos ao longo do trajeto; e contam com apoio de equipe apenas no acampamento principal, entre as voltas — com o cronômetro sempre em funcionamento.

A ausência de finalistas por dois anos consecutivos reacende o debate sobre os limites da resistência humana e o equilíbrio entre tradição e evolução em provas de extrema dificuldade. Enquanto a comunidade do trail running acompanha atenta pelas redes sociais — com atualizações em tempo real sob a hashtag #BM100 —, a Barkley mantém seu status de mito: uma prova que não se trata apenas de cruzar a linha de chegada, mas de sobreviver à experiência.

Show Comments (0) Hide Comments (0)
Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Fique em dia!

Cadastre-se para receber as últimas notícias no seu email