Baianidade na Noite do Perrengue – Adventuremag

16 abril 2015 Off Por Adventuremag

Se você acha difícil associar as relações de competitividade no esporte com as relações afetivas, de solidariedade próprias da condição humana que leva as pessoas a se interagirem, compartilharem emoções, expectativas é porque você não conhece a Noite do Perrengue, prova de corrida de aventura organizada no Estado mais hospitaleiro do Brasil: a Bahia.

O que marcou esse evento que aconteceu no Sauípe no último fim de semana não foi só a adrenalina, mas a hospitalidade, a alegria e a leveza do povo baiano. 

Noite do Perrengue

Nas competições em geral, o que se espera encontrar como desafios para a hospitalidade são a competitividade e o déficit de solidariedade. O relacionamento entre os atletas, na maioria das vezes, se reveste de um caráter de isolamento, marcado por interesses conflitantes, pela morte da afeição entre os competidores. O acirramento da concorrência, pela busca de melhores resultados na prova faz com que se assumam posições racionais, objetivas na competição, deixando de lado os sentimentos. E as relações de afeto, quando aparecem, são para atender a interesses imediatistas, voláteis e individualistas.

Diante disso, há que se perguntar se existe espaço nestas relações para a inclusão de generosidade e partilha numa competição esportiva. Pois eu respondo, com toda propriedade, que na corrida de aventura sim e na Noite do Perrengue muito mais ainda!

Nessa sociedade capitalista em que tudo se vende, o baiano, mais especificamente aquele que vive a corrida de aventura, se doa, se abre para o acolhimento, para a troca de afeto. Foi exatamente isso que senti desde o dia em que chegamos (eu e meu atleta favorito – meu namorado), sem reserva em hotel algum, e nos foi ofertada, pelos organizadores da prova, Arnaldo Maciel e Gustavo Chagas,  hopedagem na casa cedida para a coordenação do evento.

Durante essa estadia, acompanhei os bastidores da organização da corrida. Organizadores e colaboradores oficiais e extraoficiais, se empenhando com amor para que a prova fosse perfeita. No briefing, foi muito emocionante ouvi-los falar (com aquela paixão que os corredores de aventura conhecem muito bem) do esporte, do histórico familiar deles e de alguns atletas de expressão no mundo da corrida de aventura.

E mais emoção ainda durante a prova, até para quem não estava competindo, mas só acompanhando, como eu, curtindo aquela noite de céu estrelado a mil, torcendo e vibrando com a energia dos atletas.

A competitividade na corrida de aventura e mais ainda, na corrida de aventura na Bahia, não se baseia na idéia de confrontos, de interesses pessoais, ao contrário, ela faz com que as pessoas trabalhem e lutem para melhorar sua posição na prova com muito respeito pelos iniciantes e admiração pelos veteranos. Aqui, os atletas não se isolam e não são egoístas. Na disputa, o sucesso e o fracasso dependem do ponto de vista, o último a chegar se sente campeão por ter terminado a prova e comemora na mesma intensidade que quem subiu no pódio.

Pude testemunhar também que a convivência entre as pessoas, no desenrolar de uma prova de aventura, gera laços e vínculos sociais que são importantes para sustentar a paixão pelo esporte, gerar relações de amizade e companheirismo entre os atletas. E finalmente, posso dizer que, se todos os atletas, de qualquer modalidade esportiva, fossem como os corredores de aventura da Noite do Perrengue, as competições seriam mais humanizadas, mais hospitaleiras, mais generosas e mais solidárias.

 


Descubra mais sobre Adventuremag

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.