Confira abaixo o relato da ciclista goiana sobre as duas corridas que competiu no evento canadense na última semana:
“Dando início a uma sequência de provas que farei entre América do Norte e Europa, viajei para Calgary, no Canadá, para a minha primeira competição, a Canmore MTB Classic. Para aquecer o corpo, tivemos uma XCO Classe 1 na quarta-feira, dia 10, e em seguida participei do XCO da UCI Mountain Bike Continental Series, no sábado, dia 13.
Foi uma viagem longa, com 24 horas desde o momento em que saí de casa até chegar no local em que eu ficaria hospedada. O Fuso Horário era ok, de apenas 3 horas para o Brasil, o que não dificultou a adaptação. Tive apenas um dia de treino na pista antes da primeira prova, na terça-feira (9/6), e foi onde senti um desafio grande, de não ter a pista em mente no dia da competição.
De toda forma, ter esse desafio foi importante para me adaptar às condições e possibilidades. Nem tudo vai ser na rotina que estamos acostumados. A pista daquelas que chamamos de Old School (à moda antiga), e que me lembrou muito o início da minha carreira. E eu amo isso, porque para mim é o verdadeiro mountain bike. Prova longa, com voltas longas, competindo por cerca de 1h30.
Na quarta-feira, uma surpresa que atrasou em cerca de 1h15, 1h20 a largada: ursos na pista. E isso para mim foi incrível. Algo que eu nunca havia vivenciado. Me alimentei e hidratei neste período de espera, para largar na Canmore MTB Classic.
Consegui encontrar meu ritmo apenas na terceira volta. Não tinha a pista em mente e o set-up da bike ainda não estava 100% perfeito. Abri um pequeno gap e fiz uma prova incrível para garantir essa primeira vitória, contando com o suporte do Gilles, um mecânico profissional aqui do Canadá, que me ajudou com toda a logística entre Calgary e Canmore.
Optei por não correr o XCC (Short Track), por estar saindo de uma gripe e acabei preservando meu corpo, com um treino de qualidade na quinta-feira (11/6).



No sábado, a Continental Series, em um dia lindo e quente. Entrei na pista com todos os ajustes que precisava na minha Cattura Flair. Ajustagem correta dos pneus Pirelli XC RC, e também algo que fez a diferença foi acertar a calibragem da minha suspensão RockShok e do Flight Attendant, e a velocidade que ele trabalhava.
Acertar o ajuste foi algo tão notório, que tive uma fluidez maior. Eu sabia cada curva da pista e assim baixei entre 3 a 4 minutos da prova de sábado para a de quarta-feira e, praticamente, com a mesma potência. O diferencial foi me conectar ao flow da pista.
Extraí o máximo da minha bike Cattura Flair. É super legal competir com uma bike de excelência brasileira. E que chamou muita atenção dos estrangeiros. Consegui obter a máxima performance da bike, que está aprovada também em terras estrangeiras.
Liderei o XCO da Continental Series do início ao fim, puxando sempre o nível para cima, sem me acomodar, e assim garantindo outro triunfo para o Brasil no Canadá. Duas vitórias importantes, que me deixam muito confiante para a sequência que vem pela frente.
Um agradecimento especial ao Governo do Estado de Goiás, por acreditar nos atletas do nosso estado, e também à minha equipe Squadra Oggi, por me proporcionar tudo isso que estou vivendo. Agora, três etapas de Copa do Mundo na Europa (Suíça, Itália e Andorra), com um jet lag de 8 horas. Vamos ver como será a adaptação”.