Aventura dentro e fora do carro

Por Redação - 13 Nov 2012 - 08h33

Contato motorizado com a natureza? Não é bem assim. Aventureiro com diversas provas do Haka Race, no currículo – tendo vencido a primeira prova do circuito 2012-, o repórter André Siqueira, editor da revista Brasileiros, resolveu dar uma chance ao Haka Outdoor Spirit, a prova offroad do Haka, e aprovou a novidade. Neste relato à Adventuremag, ele conta como foi sua participação na corrida de estreia, em Itupeva-SP. A segunda etapa ocorre dia 24 de novembro, em Guararema-SP.

Não sei até que ponto é efeito da poeira levantada na trilha, mas me acostumei a ver a turma do trekking e do mountain bike torcer o nariz ao ver passar carros e motos de rali – aquela turma folgada que faz contato motorizado com a natureza. Por isso, confesso ter sentido alguma resistência diante da proposta de participar da primeira edição do Haka Outdoor Spirit. Ainda bem que decidi dar uma chance à novidade. A organização cumpriu o prometido: voltei para casa quase tão sujo e cansado quanto depois de uma corrida de aventura. E, o melhor, com o carro completamente empoeirado, mas inteiro.

Haka Outdoor - Keep Walking

Queria muito fazer um relato de vitória e superação. Afinal, fui para Itupeva levando uma certa experiência na Haka Race, inclusive pódio. Mas só consegui voltar com mais algumas (duras) lições. E já começo pela mais importante: quer se divertir bastante no Outdoor Spirit? Leve a prova bem a sério. Pode até parecer contraditório, mas já explico: num rali de regularidade, o cronômetro te impede de cumprir todas as tarefas previstas no mapa. Ou seja, um bom planejamento e uma navegação ponta firme permitem passar por mais PCs – que é onde estão os maiores baratos da prova.

Cheguei à Fazenda Concórdia, em Itu, na manhã do próprio sábado da prova, com o time mais familiar possível: meu irmão, Alexandre, e minha mulher, Angelita, ambos neófitos em quaisquer gêneros de corridas, e meu filho de três anos, o Miguel, que serviu como um termômetro do nosso prazer durante a prova – vibrava conosco nos acertos, e simplesmente dormia quando nos perdíamos (e olha que nos perdemos um bocado). Ao receber o mapa, até tentamos montar uma estratégia. Marcamos os PCs mais valiosos, esquadrinhamos os locais onde teríamos de tirar fotos e avaliamos rotas possíveis entre esses locais. O curvímetro se mostrou uma ferramenta essencial.

O primeiro erro, e talvez o mais grave, foi a minha teimosia em ser o motorista, quando era eu o único com alguma experiência em navegação. No pedal, acho até viável navegar e dirigir, mas no volante a brincadeira é bem diferente, como vou contar já, já...

Logo após a largada, outro vacilo: seguimos direto para o PC7, ignorando o briefing, que alertava para a abertura do PC apenas após as 13h. Perdemos alguns minutos antes de desistir dessa busca vã, e tocamos adiante. Na parada seguinte, tiramos leite de uma vaca (meu filho acompanhar minha falta de jeito) e ganhamos alguns pontos. Mais alguns quilômetros e chegamos à prova de moutain bike, onde pus à prova minha bagagem de corredor de aventura. Até então, havíamos achado duas das quatro fotos que teríamos de tirar.

Foi então que começou o nosso verdadeiro calvário. Um trecho de 13 quilômetros separava os PCs 15 e 8. No meio do trajeto, não atentamos para um ponto onde a estrada asfaltada fazia uma curva de quase 90 graus e, para nos manter no caminho correto, teríamos de seguir por um pequeno trecho de terra. E o pior foi que, depois de percorrer mais de cinco quilômetros na direção errada, avistei uma cidade, bem como previa o mapa. Era a cidade de Indaiatuba, e não Itupeva. Para resumir o enrosco, perdemos quase uma hora de prova entre entender o erro e corrigi-lo.

De volta ao caminho do bem, conseguimos tirar as fotos que faltavam e as apresentamos no PC 12,  ainda dentro do horário de corte. A Angelita, que até então só havia se encarregado de cuidar do Miguel (talvez a tarefa mais difícil, diante do sacolejo do carro e da poeirada), deu um show e conseguiu passar pelo slack line, mesmo sem nunca ter tido contato com a modalidade. Ainda cumprimos, com louvor, a prova do quiz sobre a região.

Foi então que tomamos mais uma decisão estrategicamente fatal: pensei ainda ter tempo para ganhar alguns pontos no trekking da Gruta do Quilombo. Chegamos onde deveria estar o PC com o tempo mais do que contado, saí do carro e subi como um louco a trilha até a tal gruta... E nada de encontrar o PC! Se alguém ainda puder me dizer qual era o local correto, agradeço.

A partir daí, estávamos totalmente atrasados e desestabilizados. Ninguém se preocupou em marcar as distâncias e esquadrinhar o trajeto de volta. Cometemos o erro de achar que, por termos feito o caminho na vinda, saberíamos fazer a volta sem errar. Mais ou menos como no conto de fadas em que o menino usa miolo de pão para marcar o caminho na floresta... Assim, erramos mais algumas vezes, e até avistamos Indaiatuba pela segunda vez!

O único consolo foi ver que não éramos os únicos perdidos. Encontramos outra equipe e decidimos nos unir na desgraça. Juntos, demos uma volta gigantesca – bom para o Miguel, que pôde dormir bastante. Alcançamos a linha de chegada com 50 minutos de atraso, que nos custaram praticamente metade dos pontos tão duramente conquistados... Mesmo assim, conseguimos ficar com a sexta posição, entre os nove competidores da nossa categoria.

Mesmo um tanto frustrados, percebemos que, com um pouquinho de estratégia e bom senso – não necessariamente nessa ordem – teríamos conseguido pontuar mais e ser menos penalizados. Restou a vontade de fazer tudo de novo, só que do jeito certo. Ainda bem que a segunda etapa da Haka Outdoor Spirit já foi anunciada  - dia 24 de novembro, em Guararema!

André Siqueira é editor da revista Brasileiros. Já trabalhou como repórter no jornal O Estado de S. Paulo e na revista Carta Capital. Compete no Haka Race pela equipe Keep Walking.

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13 Nov 2012 - 08h33 | sudeste |
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