Corrida de Aventura

Relato Brou na Copa América de Corrida de Aventura 2021

Depois de bastante tempo, voltamos a alinhar eu e o Thiago Brou Bruto para largar em dupla numa Corrida de Aventuras!

Partimos no Brou Móvel Usecar pro Espirito Santo, em Aracruz na sexta feira. Chegamos, fizemos o check-in na prova, pegamos os mapas e começamos os preparativos.

Corrida de Aventuras é assim: são vários esportes em sequência (neste caso: mountain bike, trekking, rapel, canoagem e orientação) e o percurso não é demarcado. Temos que navegar com mapa e bússola para ir passando pelos PC´s (postos de controle) até a linha de chegada.

A prova deste fim de semana foi a Copa América de Corrida de Aventuras, organizada pela FCCA (Federação Capixaba) e chancelada pela CBCA (Confederação Brasileira). Estava muito bem organizada, mapa muito bom, Staffs atentos e energizados…

Largamos de bike no sábado às 07h20 da manhã, e os primeiros 8km eram de deslocamento guiado pela organização, até entrarmos na aldeia indígena Tekoá Porã, que mais tarde na prova seria palco de grandes dramas..rsrs.

Esse primeiro trecho de bike eram de 45km e eu tinha planejado fazer em 2h40-3h. Mas o ritmo estava bem alucinante, aliado a falta de subidas e a uma navegação precisa, fizeram com que chegássemos à primeira AT (Área de Transição, onde trocamos as modalidades) da bike para o trekking em 2h. Chegamos a transição praticamente juntos na liderança com os quartetos Tubaína e Boa e a dupla Krass. O local era bem bonito, a base do Mont Serrat, um lugar bem turistico de Aracruz.

Trekking foi duro fisicamente, de navegação foi tranquilo. Subimos quase 300m de desnível em 2km, passando por dentro de uma gruta pra pegar um PC e depois o PC no alto da igrejinha com uma vista bem bonita. Despencamos na descida até voltar a transição, onde chegamos depois de 50 minutos de termos começado o trekking. Estávamos uns poucos minutos atrás dos dois quartetos e das duplas.

Saímos mais uma vez pedalando para mais 15km até o Parque Natural Municipal do Aricanga, lugar do próximo trekking da prova. Neste pedal, começamos só nós 2, porque as outras equipes estavam um pouco na frente, mas quase chegando na transição alcançamos a galera e chegamos juntos na transição com a Tubaína e a Krass. O quarteto BOA, de Brasília, tinha ficado um pouquinho pra trás.

Neste trekking, que era o mais difícil da prova, teríamos também que fazer um rapel no meio do caminho, e saímos todos querendo ser rápidos pra evitar filas pra fazer o rapel. O primeiro PC do trekking era numa Torre de celular…imaginem a subida…rsrs..

Depois tínhamos uma navegação meio dificil até o rapel, e chegamos mais uma vez juntos com a Krass e Tubaína. Mais um PC numa lagoa e descemos de volta à transição, onde chegamos em 2o, logo atrás da dupla Krass e um pouco a frente da Tubaína.

Partimos pra mais uma bike, e esta seria mais dificil, com bastante subida e navegação. Logo no comecinho conseguimos escapar dos irmãos Krass e pedalamos sozinhos até o PC 16, numa cachoeira. Dali tinhamos uma serra importante pra subir, mas não achamos o caminho que eu tinha planejado e acabamos pedalando quase 3km a mais para chegar à próxima transição, aos pés do imponente Goiabapa – Açu, outra linda montanha de pedras, com quase 800m de altura em seu cume (logicamente tinha um PC lá..rsrs..).

Chegamos em primeiro isolado nessa transição, e fizemos um trekking bastante consistente de 6km em 59 minutos, com uns 300m de desnível. Na volta cruzamos com a Tubaína e calculamos nossa vantagem em cerca de 10 minutos.

Voltamos pra bike (última etapa de cerca de 35km passando por Fundão e chegando a Santa Rosa), que começava com um downhill alucinante, pra compensar tudo que tínhamos que subido até agora… Nos enrolamos um pouco na navegação e acabamos sendo alcançados pela dupla Krass. Isso já era tipo 16h30, ou seja, depois de 9h prova estávamos exatamente juntos. Por isso que achamos tão fascinante este esporte!

Logo que nos encontramos apertamos um pouco o ritmo e escapamos um pouco da outra dupla. Seguimos pedalando forte, acertando a navegação e passando pelos PC´s. Na passagem por Fundão, mais ou menos metade desta última bike, ainda estávamos com vantagem, mas não sabíamos quanto tempo as outras equipes estavam atrás.

Às 17h45, escureceu e ligamos as lanternas. Numa subida longa, vimos lanternas mais atrás (4 lanternas, ou seja, torcemos para ser um quarteto rsrs). Fomos vendo as lanternas cada vez mais próximas e fomos alcançados pela Tubaína, quarteto que é formado por grandes amigos. Fomos pedalando juntos até a transição para canoagem, onde chegamos às 18h46.

Chegando lá, estávamos mais rápidos que a previsão da organização e nossos equipamentos ainda não tinham chegado. Ficamos esperando 32 minutos até que nossas bolsas estivessem a nossa disposição e começamos a remar por volta de 19h20. A esta altura estávamos empatados na liderança geral com a Tubaína, mas já sabíamos que tínhamos 32 minutos de vantagem em relação à nossa concorrente direta, a dupla dos também irmãos Krass (de Jundiaí-SP).

Saímos remando e logo abrimos uma pequena vantagem pra Tubaína, mas ficamos escutando eles conversarem um pouquinho atrás da gente. Nessa hora aconteceu uma situação inusitada. Tinha no mapa uma virada do rio pra direção Sul, e chegamos numa hora que não dava pra ver muito pra ver pra onde o rio ia…aí viramos pra Sul numa curva e seguimos remando. Uns 10 minutos depois vimos um barco vindo na direção contrária da nossa. Era a dupla Krass! PQP! Na hora que viramos pro Sul, apaguei a lanterna e não conferi mais a direção, e estávamos na verdade remando rio acima, de volta pra transição..rsrsrs…Só nas corridas de aventura mesmo.

Viramos o caiaque e seguimos remando fortes, com as lanternas apagadas, e curtindo esses que são os melhores momentos da vida :). Chegamos no fim da canoagem após fazer 14km em 3h. Agora faltava pouco, e seguíamos com os mesmos 32 minutos de vantagem.

Tínhamos uma prova especial de arco e flecha na aldeia indígena Tekoá- Porã e logo depois um trekking de 2km. Parece facinho né?
Pegamos os 2 PC´s do trekking junto com os Krass e na hora de voltar nos confundimos e perdemos 20 minutos até achar de novo o lugar onde estavam os caiaques. DESESPERO TOTAL! hehe..

Entramos logo no caiaque e remamos com toda força que tínhamos até a última transição. Eram mais ou menos 3km e fizemos em 31 minutos, tirando 7 minutos da nossa desvantagem em relação a outra dupla.

Pra terminar a prova teríamos um trekking na costeira pela areia da praia e pedras, mas como a maré estava no auge, a organização nos disse para seguir pelo asfalto. Esses 6 últimos km´s de asfalto foram os mais sofridos. Racionalmente eu sabia que era bem difcil alguém reverter 19 minutos de vantagem em 6km, mas na emoção corremos o tempo todo sem saber se ia dar certo. No final deu certo!! Fomos campeões com 15 minutos de vantagem sobre os irmãos Krass, que fizeram uma baita prova também!

Entre os quartetos, aconteceu o que quase aconteceu com a gente: a Tubaína entrou no trekking da aldeia indigena depois do Arco e Flecha com 32 minutos de vantagem sobre a BOA. Perderam um tempão pra achar um dos PC´s na mata e chegaram de volta ao caiaque com uma desvantagem de 45 minutos. Perderam a prova de 17h faltando 1h pro final.

Mais do que tudo vale a máxima: Só termina quando passar debaixo do “Arco do Triunfo”!

Parabéns a todos os envolvidos da organização e atletas!

2 a 4 de julho estaremos de novo na aventura, desta vez disputando nos quartetos: eu, Thiago Brou Bruto, Jussara Natalino e Andre Medeiros.

#BoraPraCarniceria