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Relato Grasielle Setoyama na Cmdte Santa Ritta 2018

Por Adventuremag em 20 junho 2018
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Por: Grasielle Setoyama

Venho através deste relato passar um pouquinho do que foi a segunda etapa do campeonato paranaense organizado pelo Comitê Santa Ritta e Pamonhas (união faz a força).

Eu faço parte do quarteto aventura do Clube Santa Ritta, somos em três mulheres (eu, Varseli e Sara) e nosso capitão Elcio (meu marido heheheh), somos conhecidos como o quarteto das meninas kkkkk.

Toda prova começa muito antes dela própria se concretizar, pois os treinos também fazem parte. Há exatamente 1 mês, Elcio perdeu a mãe de sepse e eu perdi meu pai de infarto. Os dois faleceram no mesmo dia, uma etapa da nossa vida de muita dor, muita tristeza, e com isso ficamos sem treinar.

Não íamos participar dessa etapa, já estava decidido. Estava sem vontade de nada, porém sabia que o quarteto e o nosso clube precisavam de nós. Então decidi ir, fui sem treinar mesmo, corpo totalmente parado.

Chegou o grande dia, tudo pronto: comida, salva vidas, bike. E com isto começou a chegar a animação de mais uma prova, estava muitoooo frio, chuva, mas mesmo assim, como corredora de aventura que me tornei há 1 ano, não podia desanimar.

A largada foi em canoagem, mais ou menos 5 Km até a ilha de Piaçaguera. Caramba, quando me dei por conta estávamos remando muito bem. Pensa na felicidade! Sarinha e Var num caiaque, eu e Elcio em outro. Essas duas arrasaram.

Chegamos bem e fomos ao trekking para pegar o PCs 1, 2 e 3. Após algumas adversidades do caseiro que não queria deixar entrar na mata, pegamos os PCs 2 e 3 e partimos. Até aí estava tudo tranquilo, eu me sentindo bem na bike, e em seguida fomos ao PC 4. Navegação precisa de meu Maridão. Entramos na trilha e conseguimos pegar este PC. Até parecia que estava treinada hahahaha.

A caminho do PC5 fomos alcançados pelo quarteto Pamonhas com Cerveja. Chegamos juntos no PC e fomos para mais uma transição, deixar a bike e ir para o trekking. Hummmm ali com as Staffs super animadas, as veteranas da expedição Daniele e Ste deixaram para nós um guaraná bem geladinho que descia redondo. A animação delas de estarem ali foi gratificante para seguirmos em frente rumo ao PC 6.

Ali os Pamonhas com Cerveja seguiam por primeiro e nós correndo atrás do prejuízo. Comecei a sentir no trekking dores no corpo, no joelho. Var, uma guerreira, começou a puxar a equipe, pois Elcio estava me socorrendo, me puxando o tempo todo. Sarinha do meu lado também me incentivando, me dando remédio para que a dor passasse logo. Esta estratégia deu certo, ali estava o significado do que é uma corrida de aventura, mas não acaba aí.

Achamos o PC 6 e voltamos para pegar as bikes, nisto ficamos um pouco mais para trás, mas nunca pensamos em desistir. Chegamos na transição super rápida, capitão assinou a planilha e saímos em busca do último PC.

Começando o pedal de retorno, a minha bike quebrou hahahahaha. Só que faltava, minha nossa!!! Elcio não acreditou!!! Tentamos arrumar, mas íamos perder muito tempo. Foram mais de 5 Km ele empurrando e correndo com a bike. No caminho encontramos os atletas da expedição, muitos tentaram nos ajudar a arrumar, (isto que me fascina nas CAs, o espírito de companheirismo). A união do nosso quarteto foi surpreendente.

Alguns quilômetros depois a Varseli pegou a bike para empurrar. Ora Elcio, ora Sara se ofereciam, em nenhum momento nós desanimamos, mesmo pensando que podíamos ficar fora de colocação.

Na procura do PC 7 ficamos surpresos com a chegada do quarteto Pamonhas com Cerveja. Olhamos espantados sem acreditar!!! Em seguida chegou mais um quarteto o “Gralha Unicentro“. Carambaaaaa, estávamos no páreo ainda. Demos o nosso melhor. Pedalamos até o próximo AT (Elcio correndo e empurrando a bike).

Estávamos em segundo. A garra e a determinação cobriram ainda mais o nosso quarteto para que pudéssemos chegar no alto do pódio. Pegamos os caiaques e remamos muito, mais muito forte mesmo. Tivemos que dar uma desacelerada porque estava vindo um navio, remamos contra a maré, contra redemoinhos no mar, cada vez mais nosso coração se enchia de orgulho e eu mais ainda, por Deus ter me presenteado com este dia maravilhoso de superação, foco, garra, de amizade, de companheirismo, de valentia.

Após 8:30hs de prova chegamosssssss uhullll e para acabar, quem estava me esperando? Minha mãe! Que surpresa maravilhosa, naquele frio me esperando!!! Caí no choro hahahahah.

Ahhh, o resultado? Ficamos em primeiro lugar da categoria quarteto misto aventura.

Só tenho a agradecer todos os atletas que fazem este esporte acontecer; aos organizadores, pois sem eles as provas não existiriam. Vocês fazem toda a diferença em nossa vida, porque são vocês que nos presenteiam com as melhores sofrências e perrengues que podemos levar para nossa vida, não fazem para obter lucro, fazem é por amor ao esporte e às corridas de aventura; agradeço também aos staffs que deixam a sua casa para ficar ali nos esperando, nos dando apoio e incentivo na hora que mais precisamos; e aos patrocinadores que acreditaram e confiaram em todos nós.

Ao meu quarteto: eu Amoooo vocês! Obrigada por acreditar que eu era capaz de ir mesmo sem treinar; ao Jefferson, nosso “treinador”, meu muito obrigada pela sua paciência, pelo seu exemplo de ser humano, pelos treinos maravilhosos que você proporciona para a equipe do Comitê Santa Ritta, por nos mostrar o quanto ama este esporte!!

Corrida de aventura é isto, é uma mistura de muitos sentimentos e sensações possíveis que possam existir, eh simplesmente apaixonante!!!