Todos os artigos de Erich Aby Zayan Feldberg

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Curso de Orientação – Parte IV

 

3. ORIENTANDO-SE

3.1 PLOTAGEM DO MAPA

Ao receber o mapa da prova e o caderno de instruções, já é possível iniciar a plotagem dos PC´s. O caderno de instruções fornecerá as coordenadas UTM dos diversos PC´s da prova, o que permitirá sua localização no mapa.

Reforçando o que foi ensinado na segunda parte do curso, vamos plotar passo a passo algumas coordenadas.

PC01 – UTM 436711 / 7371123 – você pode escolher uma coordenada parecida em um mapa que você já possua, alterando apenas os números grifados.

No eixo X vamos marcar a coordenada 436711. Relembrando, este valor significa 436km e 711m. Primeiro encontre a linha vertical com o valor 436. Falta encontrar os 711m. Considerando um mapa com escala 1:50.000 , 711m da realidade, correspondem a 0,0142m no mapa (711/50.000). Ou seja 0,0142m equivalem a 1,42cm. Para encontrar a linha vertical basta, a partir da linha 436, marcar 1,42cm.

No eixo Y vamos marcar a coordenada 7371123. Relembrando, este valor significa 7371km e 123m. Primeiro encontre a linha horizontal com o valor 7371. Falta encontrar os 123m. Os 123m da realidade, correspondem a 0,0025m no mapa (123/50.000). Ou seja 0,0025m equivalem a 0,25cm. Para encontrar a linha horizontal basta, a partir da linha 7371, marcar 0,25cm.

No cruzamento destas duas linhas é onde se encontra o PC01.

DICA: A plotagem deve ser conferida para que não ocorra de se colocar um PC em local errado. Isso já aconteceu com algumas equipes e acabou por tirá-las da prova. Verifique se o ponto que foi marcado não está em algum lugar pouco provável.

Alguns organizadores fornecem junto com as coordenadas, algumas dicas de onde se encontra o PC. Use estas dicas para conferir a posição do PC.

3.2 ESCOLHENDO O CAMINHO

Com os PC´s plotados, é a hora de escolher o caminho a seguir. Normalmente os PC´s são ligados por trilhas, rios ou estradas e o melhor caminho costuma ser o mais óbvio. Nas situações em que houver mais que um caminho, estude o desnível, a quantidade de subidas e descidas, o tipo de terreno e a distância. Estes dados são os subsídios para uma escolha eficiente do caminho mais rápido.

Mountain Bike – nos trechos de MTB, lembre que a velocidade pode variar muito dependendo do terreno. Se houver mais de um caminho, estime o tempo que levaria por cada um levando em conta a diferença de velocidade. Estude também a possibilidade de cortar trechos optando por carregar a MTB. Esta situação é rara mas não impossível.

Canoa, Duck ou outra embarcação – se a etapa de canoagem for em rio, estude se não há cortes por terra (portagem) que permitam diminuir o tempo de percurso. Não é raro acontecer de um rio dar uma volta grande e voltar quase para o mesmo lugar. Nessa situação pode valer a pena tirar a embarcação da água e carregá-la até encontrar a continuação do rio. Se a etapa for em mar, estude o vento, a correnteza e as ondas para escolher o caminho mais rápido.

Trekking – na grande maioria das vezes, o caminho mais rápido é a trilha ou estrada indicados no mapa. Com o tempo você poderá se sentir mais a vontade para estudar outras opções de caminho que talvez ganhem algum tempo.

É na hora da plotagem que os bons orientadores escolhem sua estratégia de prova.

Curso de Orientação – Parte III

 

2. BÚSSOLA

2.1 TIPOS DE BÚSSOLA

Existem inúmeros tipos de bússola no mercado. Para utilização em Corridas de Aventura, existem três tipos que tornam a leitura mais fácil e ágil.

Bússola de Relógio
– extremamente rápida na definição do azimute, o que facilita a leitura em movimento;
– possui ajuste de declinação, o que elimina a necessidade de corrigir a leitura do azimute;
– pode possuir altímetro, outra informação útil para a orientação;

Bússola tipo “Régua”
– as de marca boa são rápidas na definição do azimute;
– algumas possuem um ajuste de declinação;
– CUIDADO! As bússolas do hemisfério sul não funcionam com eficácia no hemisfério norte, e vice-versa.

Bússola Fixa
– este tipo de bússola pode ser utilizado fixado nas canoas, caiaques ou outras embarcações, permitindo a leitura do azimute sem a necessidade de parar a remada;
– a diferença desta bússola para as outras é que não existe a necessidade dela estar na horizontal.

2.2 LENDO A BÚSSOLA

2.2.1 Bússola de Relógio ou Fixa

Aponte a parte frontal (0º) da bússola para a direção desejada. Considerando que já foi colocado no relógio a correção de declinação, o valor expresso no mostrador será um ângulo em graus que indicará a posição geométrica e não magnética. Por exemplo 175º.

Para encontrar esta direção no mapa, basta traçar uma linha partindo do ponto onde você se encontra com a direção 175º.

Para, tendo um azimute obtido no mapa, encontrar a direção a seguir, basta girar o relógio até o mostrador indicar o azimute desejado. A direção que o relógio apontar será a direção a seguir.

2.2.2 Bússola “Régua”

Aponte a parte frontal da bússola para a direção desejada. Gire o mostrador até o norte (0º) coincidir com a agulha. O valor em graus, que estiver na parte frontal da bússola, será o azimute, sem correção de declinação. Se apontada para a mesma direção do exemplo anterior o valor lido será 194º.

Para encontrar a direção correta no mapa, será necessário corrigir a declinação magnética. Para fazer esta correção, basta subtrair o valor da declinação do grau lido. Ou seja, 194º – 19º = 175º.

Para encontrar esta direção no mapa, basta traçar uma linha partindo do ponto onde você se encontra com a direção 175º.

2.2.3 Bússola Fixa

Esta bússola funciona da mesma maneira que a bússola de régua.

Curso de Orientação – Parte II

1.3 COORDENADAS UTM

A sigla UTM vem da designação Projeção Universal Transversal de Mercator.

As coordenadas em UTM são representadas por duas dimensões. Estas dimensões são expressas como UTM (X / Y). A coordenada X é qualquer valor que representará uma linha vertical do mapa. A coordenada Y é qualquer valor que representará uma linha horizontal do mapa.

A Coordenada UTM tem como origem o Equador (considerado o valor 10000km para esta linha) e o Meridiano 45º West Greenwich (considerado o valor 500km para esta linha).

Os valores das coordenas são expressos em metro. Em algumas cartas, é usual não colocar os três últimos dígitos da coordenada, ou seja, ela passa a ter o valor expresso em quilômetro. Para saber a distância entre duas linhas verticais, ou duas linhas horizontais, basta subtrair uma coordenada da outra.

Qualquer ponto no mapa pode ser representado por uma coordenada UTM. Basta para isto encontrar o valor das coordenadas X e Y deste ponto. Para, a partir de coordenadas X / Y, encontrar um ponto no mapa, é só traçar a linha X e a linha Y. No cruzamento destas duas linhas se encontra o ponto desejado.

 

Exemplo:

Localizar no mapa o Posto de Controle (PC) que se encontra nas coordenada UTM (374595 /7375069).

 

Qual a coordenada UTM aproximada, do Tanque localizado na segunda quadrícula da esquerda para a direita e terceira de baixo para cima.

UTM ( ________________ / ________________ )

1.4 OUTRAS INFORMAÇÕES

1.4.1 Curvas de Nível

O mapa é uma representação em duas dimensões de uma realidade de três dimensões. No mapa, o que representa as variações de relevo existentes na natureza são as curvas de nível. A cota ou altitude de uma determinada curva de nível pode ser obtida através das cotas anotadas dentro de algumas delas. No nível do mar a cota de altitude é zero.

 

1.4.2 Sinais Convencionais

Todos os dados importantes encontrados na realidade são passados para uma mapa seguindo algumas representações. È desta maneira que se torna possível identificar acidentes geográficos e outros elementos como vegetação, estradas e limites. A convenção de sinais usualmente está grafada no mapa.

 

1.4.3 Direção em Graus (Azimute)

A direção em um mapa é usualmente indicada em graus. A divisão em graus segue a convenção matemática aprendida na escola, ou seja, uma circunferência que varia de 0º a 360º. O 0º, que coincide com o 360º, sempre se encontra na parte superior da circunferência (norte). Os valores aumentam no sentido horário. Na direção leste encontramos o 90º, na direção sul encontramos o 180º e na direção oeste encontramos o 270º.

 

Curso de Orientação – Parte I

Prefácio

O objetivo deste curso é ensinar ao participante uma parte da teoria de Cartografia, além da experiência prática da Equipe Rosa dos Ventos. O que vai levá-lo a ser um grande orientador será sua disposição em aperfeiçoar o conhecimento adquirido.

“Por ser Engenheiro Civil, eu já tinha uma certa familiaridade com mapas, mas o aprendizado de orientação para Corrida de Aventura eu adquiri com força de vontade. No início eu subia alguns morros da Serra do Mar e ficava sentado tentando enxergar, no mapa, o relevo que estava em minha volta. Fiz isso até que se tornasse algo natural. Depois, comecei a estudar os rios, trilhas, estradas e todas as informações adicionais que permitem facilitar a localização no mapa. Nesta fase, percebi que nem tudo que se vê na natureza está no mapa, o que me mostrou a importância de saber ponderar quais informações são relevantes. Outro grande auxílio em minha formação como orientador, foram as amizades com os melhores orientadores de Corrida de Aventura da época. Inúmeras dicas passadas pelo Marcelo Maciel, Alexandre Freitas e Makoto Ishibe, foram de extrema utilidade durante as provas.”

Lembre-se sempre de, depois das provas, já com a cabeça fria, estudar seus erros e os motivos que o levaram a cometê-lo. Também procure adquirir a habilidade de saber a velocidade da sua equipe nas diversas modalidades envolvidas nas provas. TODA informação é importante para que, em um momento de dúvida, você consiga tomar a melhor decisão.

Boa sorte e nos encontramos nas provas.”

Erich Aby Zayan Feldberg
rosadosventos@fawer.com.br
ROSA DOS VENTOS

1. MAPAS

Os mapas mais utilizados nas provas de Corrida de Aventura do Brasil são os do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). As escalas mais comuns são 1:50.000 ou 1:100.000. A maioria destes mapas é da década de 70 e esta é uma informação relevante, muitas vezes ignorada pelos orientadores. Lembre-se que em mais de 30 anos muitas coisas mudaram. Casas, vegetação, estradas de ferro, trilhas, ou seja, muita informação pode ter sido alterada.

É comum o organizador fazer a “atualização do mapa”, no trecho em que a prova vai passar. Esta é outra informação que deve ser considerada pelo orientador. As pessoas que fazem atualizações para as provas, muito provavelmente não serão especialistas em cartografia e estarão sujeitas a erros e particularidades. Leve isto em consideração ao fazer sua análise do mapa e antes de afirmar que o mapa estava errado.
1.1 ESCALA

A escala do mapa indica o quanto foi reduzida a realidade para que coubesse em uma folha. Portanto, para saber transformar as medidas do mapa em medidas reais, é imprescindível se conhecer a escala.

Vamos tomar como exemplo a escala 1:50.000 (um para cinquenta mil). Se no mapa você medir 1cm, isto indica que na realidade esta medida será de 50.000cm ou seja, 500m ou ainda 0,50km. Se você medir 3,6cm, isto indica que na realidade esta medida será de 180.000cm (50.000×3,6) ou seja, 1800m ou ainda 1,80km.

Agora tomando como exemplo a escala 1:100.000 (um para cem mil). Se no mapa você medir 1cm, isto indica que na realidade esta medida será de 100.000cm ou seja, 1.000m ou ainda 1km. Se você medir 3,6cm, isto indica que na realidade esta medida será de 360.000cm (100.000×3,6) ou seja, 3600m ou ainda 3,60km.

Ainda na escala 1:100.000 (um para cem mil). Se no mapa você medir 1mm, isto indica que na realidade esta medida será de 100.000mm, ou 10.000cm, ou 100m ou ainda 0,1km.

Lembre-se sempre de checar a escala quando pegar um mapa e, se estiver acostumado com uma escala diferente, prepare sua cabeça para não manter os mesmos padrões de distância ao olhar o mapa. Quanto maior o número da direita, menos detalhes o mapa irá mostrar.

1.2 DECLINAÇÃO MAGNÉTICA

Norte Geográfico

Para localizar os pontos cardeais (norte, sul, leste e oeste) no mapa, você coloca a folha em posição de leitura. As linhas verticais apontando para a parte superior indicam o Norte Geográfico, para a parte inferior indicam o Sul Geográfico, as linhas horizontais apontando para a esquerda indicam o Oeste Geográfico e apontando para a direita indicam o Leste Geográfico.

Norte Magnético

A bússola funciona com um imã que se orienta pela “força magnética” da Terra. Esta força magnética não é fixa pois no interior do globo terrestre o magma, que influi nesta força, está em movimento. Este movimento altera a orientação do imã da bússola de maneira constante e pequena. Portanto a bússola não aponta para o Norte Geográfico e sim para o Norte chamado de Magnético.

Sabe-se que esta movimentação do Norte Magnético segue um padrão que está indicado no mapa, permitindo descobrir a diferença em graus para o Norte Geográfico.

No rodapé do mapa estará indicado o valor em graus da declinação e o ano em que foi calculada. Também estará indicado o quanto a declinação aumenta ou diminui por ano. Com estes dados é possível se calcular a declinação no ano em que se deseja.

Exemplo :

O mapa tem impresso que, nesta região, em 1984, a declinação magnética era de 17º32’ oeste e que a declinação magnética, desta região, cresce 7’ anualmente.

Portanto em 2002 a declinação magnética será de :

(18 anos x 7’) + 17º32’ = 126’ + 17º32’ = 2º06’ + 17º32’ = 19º38’ (oeste)

Aqui termina a primeira parte do curso de orientação. Caso queira fazer o download desta parte na versão Word, clique aqui.

Dicas para iniciantes

Hoje, lembrando da primeira prova que a Equipe Rosa dos Ventos/Qualyfruit participou (LITORAL 2000), vejo como poderíamos ter tido um desempenho muito melhor, se fosse utilizada a experiência que temos hoje.

Apesar do quinto lugar nos ter feito sentir como vitoriosos, não seria difícil ganhar aquela prova. Para mim, o fascínio da Corrida de Aventura está em saber que a cada prova uma nova lição será aprendida, um novo conhecimento que permitirá um desempenho melhor na próxima competição.

O intuito deste texto é tentar passar às equipes novas, um pouco da experiência que esses dois anos e meio, competindo, me deram. Espero que quem procurar utilizar estas dicas consiga melhorar seu desempenho.

Hoje, tenho a convicção de que a base para completar uma prova sem que nenhum dos componentes tenha dificuldades físicas e psicológicas é a alimentação e a hidratação. Por esse motivo o planejamento do que será consumido será fundamental na Mini EMA.

Procurem levar alimentos ricos em carboidratos (evitem o açúcar) e de fácil digestão. Muitas pessoas costumam levar salgadinhos, queijos, frios e castanhas em grande quantidade, mas na minha opinião isso é um erro pois são alimentos de digestão mais difícil (gastam energia do corpo) e que não repõem o carboidrato necessário. Quem se adaptar bem a suplementos como gel e maltodextrina, estará utilizando um combustível muito eficiente.

Mas lembre-se que devem ser ingeridos com água. Sugiro que seja utilizada a seguinte alimentação: BASE – 1 gel a cada 2 horas, 2 colheres de sopa de Maltodextrina diluídos em 500ml de água, 750ml de água por hora, 1 sanduiche a cada 2:30horas e frutas secas. COMPLEMENTO – batata cozida, cenourinha, frutas, bolo, salgadinho, queijo, esfiha, pizza ou outros da preferência. No saco de alimentos, a ser entregue à organização, deixar uma refeição rica em carbohidrato (torta, macarrão, lazanha) e frutas. Não acho que equipes iniciantes devam correr o risco de levar pouco alimento como as equipes de ponta fazem.

Outra dica importante para esta prova é o cuidado com o frio. Minha sugestão para quem está iniciando é não correr o risco de sair da prova por causa de frio. Levem calça comprida (lycra ou suplex), 1 camisa de manga comprida (lã fina ou polartec), 1 agasalho (moleton ou fleece), 1 corta vento (anorak ou capa de chuva), luva com dedos, gorro (o corpo perde muito calor pela cabeça), meia grossa e neoprene. O colete também pode servir de proteção. A roupa que não estiver no corpo, deverá estar seca e protegida da água dentro da mochila.

A orientação será fundamental nesta prova (informação do organizador) e por isso tenham paciência com o seu orientador, dando muito apoio a ele. Lembre-se que é mais importante o apoio da equipe no erro do que os parabéns no acerto. Ao orientador eu digo que seja MUITO rigoroso com o azimute e a altitude, acreditando no que a bússola diz, mesmo que esteja numa trilha muito boa. Nem sempre o melhor caminho é o caminho escolhido pelo organizador. Não tenha preguiça de voltar se achar que não está certo, pois é fundamental sempre saber sua posição no mapa.

O crescimento de uma equipe vem com o tempo, com a melhora do entrosamento e com o ganho de experiência. Não percam a oportunidade de realizar uma boa prova por ambição de chegar na frente. Se estiverem bem, só aumentem o ritmo a partir da metade da prova. Não é porque uma equipe corre que a outra deve fazer o mesmo. FAÇA A SUA PROVA.

Boa sorte a todos e se quiserem entrar em detalhes me escrevam rosadosventos@fawer.com.br

ERICH ABY ZAYAN FELDBERG
ROSA DOS VENTOS/QUALYFRUIT