Ducks: o que pode ser feito para evitar novos problemas
Por Lilian Araujo - 16.06.2008 -
Recomendar esse texto
Discussões sobre ducks estourados ou furados em corridas de aventura têm se tornado rotineiras desde o ano passado. Um dos últimos casos aconteceu em maio, durante o Desafio das Montanhas, em Laranja da Serra, no Espírito Santo.
Em geral, dois importantes tópicos são levantados entre os atletas, mas nunca chegaram a ser discutidos abertamente: “Qual a posição oficial da organização diante desse tipo de problema?” e “O que fazer para evitar ou minimizar situações como estas, que acabam sendo um desafio à parte para as equipes durante as competições?”
Apesar de, boa parte das vezes, o debate entre competidores se esgotar antes mesmo dos organizadores se justificarem e apresentarem alternativas, Thiago Mol, organizador do Desafio das Montanhas volta ao tema e conta que dez dos 45 ducks alugados furaram pouco antes do início da prova. Ele esclarece que o Sol intenso e a pressa das equipes em calibrar as embarcações e acomodar seus pertences para a largada foram os principais fatores que acarretaram no problema. Mol garante ter checado todos os ducks, dos quais três alugados como reserva, 30 minutos antes da largada e nenhum apresentava problema.
O fornecedor das embarcações, Lucas Gerônimo, que não estava presente no local, conta que a equipe responsável pelo equipamentos nesta prova relatou ter enchido e checado as válvulas na noite anterior, deixando para antes da largada apenas a calibragem final. As 8h da manhã do dia da largada, Lucas recorda-se de ter recebido um telefonema e a confirmação de que todos os barcos estavam em condições de uso, surgindo ducks com problemas logo após os atletas assumirem o controle das bombas. Mesmo após ouvirem o apelo de aguardarem a calibragem por parte da equipe da organização, Lucas ouviu pelo telefone que os atletas insistiram em fazê-la por conta própria. Com os ducks furados, a organização do Desafio das Montanhas precisou remodelar a prova minutos antes da largada, dividindo os quartetos em duplas, que se revezariam no remo.
Depois do ocorrido, para a próxima etapa do Desafio das Montanhas, Mol já pensa em deixar de usar barcos infláveis, devido à grande chance de incidentes nesse tipo de competição. Embora classifique esta embarcação como um dos principais fatores que facilitou a introdução da modalidade de remo na maior parte das competições de aventura no Brasil, devido ao baixo custo de locação e transporte facilitado frente a outros tipos de caiaques, Thiago Mol crê que está na hora de mudar. “A maioria dos ducks utilizados nas corridas de aventura no Brasil são de 2000/2001 – da época do EMA -.Quando esse material é novo, o risco de avarias é mínimo”, cometa Mol.
Mol avalia que o momento é de reformulação das embarcações, classificando-as de ultrapassadas. O organizador do Desafio das Montanhas acredita que os atletas precisam utilizar outros tipos de barcos para ampliar seu leque de experiência, qualificando os do tipo sit-on-top como os mais indicados para o esporte. “Sinceramente, gostaria que os barcos utilizados fossem os fechados, em que é necessário o uso da ‘saia’, pois são barcos velozes, que exigem técnica do atleta e o tempo de vida útil é muito grande”, comenta.

