ARQUIVO: UMA BRASILEIRA NO CORAÇÃO DO ECO-CHALLENGE
(4/10/2002 - 00:41) - por Wladimir Togumi


 


Evelyn Parolina é a 1a brasileira no staff médico do Eco-Challenge
foto: Wladimir Togumi/adventuremag

Evelyn Parolina foi escolhida entre mais de cem voluntários para atuar na equipe médica da mais famosa corrida de aventura do mundo
Por Ana Karla Rodrigues


Pela primeira vez na história do Eco-Challenge, uma brasileira fará parte do staff médico. Evelyn Parolina, 29 anos, dará assistência aos melhores atletas de aventura do mundo, que desafiarão sua determinação, força física e equilíbrio emocional no arquipélago de Fiji, no Pacífico Sul, em outubro. A corrida, que se desenhará por florestas, bancos de corais e mar azul, promete ser tão bonita quanto difícil para as equipes.

Evelyn é fisioterapeuta formada em 1994 pela UNESP, com especialização em Fisioterapia Desportiva e diversos cursos na área do esporte e fisiologia do exercício. É professora de Eletroterapia, Fisio Desportiva e Cinesioterapia nas universidades FIG (Guarulhos) e Unifieo (Osasco).

Evelyn falou com exclusividade ao Adventuremag sobre suas expectativas quanto à corrida e da sorte em ter sido escolhida entre centenas de voluntários de todo o mundo.


Adventuremag: Como você foi escolhida para participar do Eco-Challenge?
Evelyn: Eu vi num site, não me lembro bem qual, a chamada "Seja voluntário do Eco-Challenge". Pensei comigo: "Quer saber? Vou mandar!". Não consultei nem avisei ninguém. Preenchi um formulário de quatro páginas, com perguntas sobre trabalho em equipe, suas expectativas em relação à prova, várias coisas. Disseram que haveria uma resposta até o final de maio. Esse mês acabou e eu desencanei. Em junho, recebi um informativo do Adrian (Adrian Cohen, médico-chefe do Eco-Challenge), explicando que eu havia sido escolhida e tudo o que eu deveria fazer. Neste dia, soube que teria que pagar a passagem, mas acabei ganhando 120 mil milhas de uma amiga, que viaja muito. Salvou a minha vida!

AM: Como você conheceu as corridas de aventura?
E: Conheci corrida de aventura através do Edu Coelho (Eduardo Coelho, atleta da equipe EMA Brasil que estará na competição deste ano). Ele foi meu paciente, quando sofreu uma lesão no joelho. Ele foi um dos primeiros atletas a competir nas provas de aventura, foi para a Nova Zelândia fazer a Southern Traverse, é um precursor mesmo.

AM: E o gosto por esportes de aventura é antigo?
E: Eu sempre gostei, me interessei. Eu faço trekking, participo do circuito da Trilha (TrilhaBrazil, circuito paulista de trekking), participei de umas cinco competições. É legal, mas é muito sujo (risos)!

AM: E qual foi a sensação de ser escolhida para fazer parte da elite da medicina esportiva no mundo?
E: Na hora em que fiquei sabendo, pensei: "Ah, eu vou nem que seja à pé!". Mas foi muito legal saber que fui escolhida entre 100 candidatos, e que só havia três vagas para voluntários no time médico!

AM: Quando você embarca?
E: No dia 3 de outubro. Já pedi todos os meus afastamentos, tanto do trabalho quanto das duas faculdades onde dou aula (FIG, em Guarulhos, e Unifieo, em Osasco). Vou fazer uma viagem um pouco mais longa que as convencionais, para poder completar o número de milhas que ganhei da minha amiga, e também porque não consegui passagem direto. Vou daqui para Los Angeles, no dia 3; de lá vôo para Narita, no Japão, depois para a Nova Zelândia, onde vou dormir um dia. No dia seguinte vou para a Austrália, onde passo mais dois dias, e finalmente, Fiji! Já na volta vai ser Fiji - Los Angeles - São Paulo. Estarei na Nova Zelândia só no dia 6! Já dá para imaginar como vou chegar lá: moída!

AM: E o que você espera da corrida? Como você acredita que será a sua contribuição?
E: Eu acho que vou aprender muito mais que contribuir. Vai ser uma quantidade muito grande de coisas novas acontecendo num espaço muito curto de tempo. Ainda mais que só tem gente experiente. Mas dá um medinho... Serão só três voluntários na área médica, mas na corrida toda, de acordo com o Adrian, haverá mais de 100, nas áreas de organização, transporte, comunicações, PC´s, etc.

AM: Havia alguma opção de escolha na hora da inscrição para voluntário?
E: Sim, havia várias outras especialidades: logística, comunicações, medicina, resgate. Escolhi a medicina porque era a que mais se aproximava da minha formação. Talvez, se eu tivesse marcado outra opção, nem teria sido escolhida.

AM: E sobre os casos médicos mais comuns nas corridas de aventura? Já está familiarizada a eles?
E: Sim. O Adrian já me passou os mais comuns. As tendinites por repetição, acontecem bastante, já que o esforço sobre os membros é muito grande, e o movimento, muito intenso. Outros comuns são as lesões de ligamentos nos pés e nos joelhos, devido à intensidade do exercício e às irregularidades do terreno.

AM: Você trabalha com um grupo de corrida. Como é seu trabalho com eles?
E: Sim, eu trabalho com a equipe "Trainning and Therapy", formada por corredores amadores, que participam da Corrida de São Silvestre, alguns mesmo de maratonas internacionais, como as de Nova York e Chicago. Sou eu e mais uma personal: ela planeja os treinos e eu faço a parte preventiva, pré e pós-competição, depois pré e pós-treino.

AM: E quais são suas outras atividades?
E: Também trabalho na Prefeitura de Mairiporã, onde atuo na área de Ortopedia e Traumatologia, e dou aula em duas universidades. Sou também mestranda pela Escola Paulista de Medicina. Acabo rodando a Grande São Paulo todos os dias!

AM: O trabalho no Eco-Challenge vai ser muito diferente do que você faz no seu cotidiano, né?
E: Sim, vai. São dois tipos de ação muito diferente, aqui a preventiva, lá, a reabilitadora. Acho que lá será a curativa imediata, melhor dizendo. E nem tem como fazer tratamentos mais sofisticados, devido à dinâmica da competição e às condições que teremos lá. Segundo soube, a maior parte da prova não contará com energia elétrica. Isso limita bastante.

AM: Uma questão polêmica que é sempre levantada é se a longo prazo os atletas de corrida de aventura estariam condenando seu corpo a lesões graves e outros tipos de problemas físicos. O que você acha sobre isso?
E: Eu acredito que isso é real. A grande maioria dos atletas de aventura que já acompanhei tem uma determinação que muitas vezes extrapola o bom senso. Querem terminar a prova de qualquer jeito, mesmo machucados... e a repetição desse tipo de esforço muito grande pode resultar em lesões muito mais graves no futuro. Por isso que o tratamento preventivo para qualquer tipo de esporte é fundamental.

AM: Você conhece as três equipes brasileiras que estarão neste ano no Eco-Challenge?
E: Além do Edu Coelho, conheço o Rafael Reyes, da Lontra Radical, com quem fiz um curso de orientação no ano passado.

AM: E está torcendo para alguém?
E: Bom... para a equipe do Edu, que é com quem tenho mais amizade! (risos).

 

 

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