A intenção deste texto vai além do relato de alguém que participou do Ecomotion Pró, na Serra do Espinhaço em Minas Gerais. As palavras a seguir contêm, de fato, uma descrição do que é trabalhar em equipe em uma corrida de aventura; as dificuldades e alegrias de se formar e de estar em uma equipe e, por fim, uma descrição de como os integrantes, o Marcelo, Oreste, Marciel (para quem estranhar, estou falando do “Catarina”), Marcela, Rodrigo e Luciane, se uniram para começar uma prova expedicionária de aventura. A princípio, eram simplesmente um “bando de amigos”, com vontade de participar, mas acabaram depois de muitas subidas, descidas, pedras, sono e suor, por formar um time, uma Equipe de Corrida de Aventura de verdade, a Equipe Xingu-Liofoods-Arco e Flecha.
Antes de começar, gostaria de fazer um desabafo em primeira pessoa:
“Somente o fato de eu estar escrevendo sobre a participação da Equipe Xingu-Liofoods-Arco e Flecha no Ecomotion é como uma vitória. A novela que precedeu a corrida, nas inúmeras tentativas de montar esta equipe é longa e chata, por isso não vou detalhar os fatos, mas vou ressaltar que montar um quarteto é difícil, quase impossível, não fosse a persistência e talvez um pouco de sorte. No final das contas, é muito mais provável e decepcionante desistir de formar a equipe e abandonar a participação na prova, do que qualquer outro problema, após a largada. O fato de termos um número tão pequeno de desistências na prova deste ano, é talvez, resultado direto do sofrimento que atletas passam para “juntar” seus quartetos. Uma vez que passaram dessa fase, fizeram o possível e impossível para manter a equipe unida durante toda a prova. Eu pessoalmente estive em quatro equipes diferentes antes de fechar com a quinta. Que novela sem graça! Como muito se fala, se quartetos são a essência das Corridas de Aventura, por que então é tão difícil nesta formação? Entendo plenamente as principais “desculpas” como, falta de dinheiro, desentendimentos pessoais e objetivos conflitantes mas, mesmo assim, quero poder sonhar que isto não é tudo e que existe alguma solução mais simples para se formar um quarteto de Corrida de Aventura. Em resumo, só quero deixar claro uma coisa: Não desistam. Correr em quarteto é bom demais!
Bem, vamos a corrida.
Diamantina, 21 de novembro
A novela chata de formar uma equipe teve, no entanto, um resultado interessante e positivo. O que pôde ser percebido foi um aumento considerável na qualidade das equipes presentes. Talvez a tal “crise financeira” tenha feito com que as equipes se preparassem melhor, sendo mais criteriosas na escolha de seus atletas, evitando surpresas durante a prova. A impressão era de que as equipes foram formadas contemplando aqueles atletas que realmente se dedicam ao esporte. Não havia espaço para tentativas ou “primeira vez”. Todos queriam “ir forte” e não desistir em hipótese alguma. Resultado disso tudo foi que, apesar da pequena presença de equipes estrangeiras, o que se viu foi um Ecomotion muito competitivo. Equipes fortes e focadas, tudo refletido nos pensamentos dos atletas, que dias antes da largada, se viram rodeados por seus “rivais”. Todos estavam uma pilha de nervos. Bonito de se ver.
Nossa equipe estava nesse bolo. Apesar de ser ¾ novata no Ecomotion, era uma equipe que prometia em termos de dedicação e força pessoal. Quatro atletas muito dedicados ao esporte, ambiciosos e que sempre olham para frente. Aliás, olhar para frente foi a nossa principal qualidade, a que se sobrepôs a todos os outros problemas que tivemos com a falta de entrosamento, típico de atletas que jamais haviam corrido juntos antes. No fim das contas, depois de muito bater a cabeça, conseguimos unir nossas vontades pessoais, deixar de lado as frustrações e fazer uma boa prova.
Estátua do Juquinha, em algum lugar da Serra do Cipó, 22 de novembro
O bom das Corridas de Aventura é que toda a tensão pré-prova como formação de equipe, equipamentos, busca de apoio e equipe de apoio, patrocínios, carro, passagens, pousadas, alimentação e organização, desaparece no instante em que é soada a buzina da largada. Ao som dos 5, 4, 3, 2, 1, todos disparam em direção ao desconhecido. Na mente resta nada, além de curvas de nível, acidentes geográficos, rios, serras, vales, PCs (posto de controle) e mais PCs. As estratégias do pré-prova, na maioria das vezes, se vão junto com as águas do primeiro rio que se cruza, restando somente a vontade e tesão de estar ali no meio da natureza com o objetivo de rasgar tudo pela frente, não importando o “perrengue”, para cruzar logo o pórtico de chegada!
Largamos para nosso primeiro Ecomotion Pró em um ritmo alucinante. Corremos, por entre os cânions da Serra do Cipó, quase uma maratona até a primeira transição. Corrida forte em terreno com muito desnível, piso de pedras pontudas e um sol de rachar para complementar a loucura inicial. Chegamos no primeiro AT (área de transição) ao pôr do sol. Ali, fizemos nossa primeira “transição descontrolada”. Assim como o próprio Ecomotion, era a primeira vez que ¾ da equipe fazia uma transição com equipe de apoio. Não sabíamos como nos preparar para tal e aquela primeira transição foi uma correria e gritaria sem fim. Eu pessoalmente estava perdido. Não sabia se comia, trocava de roupa, arrumava isso ou aquilo, pegava água ou suplementos. Os apoios queridos - Rodrigo e Luciane - tentavam ajudar, mas nada dava certo. Só sei que de repente, eu estava pedalando, sem controle e sem direção. Demorou alguns minutos até eu me achar e recuperar a consciência da prova. Depois do primeiro pedal “a lá tapa na cara”, acordamos e chegamos ao começo do momento, na minha avaliação, mais penoso de toda a prova. Explico: para nossa recém-formada equipe, que ainda estava sem ritmo de prova, entrar em uma etapa de canoagem de 60km noite adentro, foi um inferno. De todas as modalidades da corrida de aventura, sem dúvida é na canoagem onde a falta de ritmo mais impacta o andamento de uma equipe. E isso ficou mais do que evidente com nossa equipe, que batia cabeça, remos, ducks e tudo que passasse pela nossa frente. Nosso duck estava furado, e nos fez perder algum tempo nesta etapa, mas é desculpa pequena perto da nossa falta de entrosamento. O bom dessa história é lembrar que na segunda vez que sentamos em um duck durante a prova, parecíamos uma equipe com 10 anos de experiência. Mas naquele momento, a gente não podia imaginar o que estava por vir. Ali, ao término deste trecho, estávamos completamente frustrados com a nossa performance, tornando nossa segunda transição ainda pior do que a primeira.
Rio Cipó, 23 de novembro
De uma maneira ruim, frustrados e ainda sem a noção necessária da prova e do espírito de equipe, saímos do AT2 rumo ao longo trekking de 62k que cruzaria as Serras do Cipó e Espinhaço. Transições ruins e primeiro trecho de canoagem, desastroso, se somaram à disritmia da equipe, culminando em um erro de navegação que acabou por derrubar consideravelmente nossa colocação na prova. Olhamos para a trilha certa, falamos sobre ela, brincamos sobre os “jegues” subindo por ali, mas a ignoramos completamente. Nosso entendimento do ritmo de equipe era outro, ou melhor, ainda não entendíamos o ritmo da equipe. Assim sendo, enquanto andávamos a 6 km/h, nossa percepção era de 4 km/h. Ou seja, acabamos por ir muito além da entrada que deveríamos ter tomado, e que já havíamos reconhecido. Rasgamos um matinho até “cair à ficha”. Voltamos atrás e a partir daí, não erramos mais na prova. No entanto já estávamos bem abatidos. Naquele instante, cada um tinha um problema: gripe, resfriado, torção, fome, indigestão, calor, frustrações, etc. Tudo de ruim aflorou neste segundo dia de prova. Mas fomos levando a situação como estava indo. A beleza dos caminhos pelos terrenos de altitude das serras que cruzávamos ajudava a amenizar os problemas. Neste passo, chegamos ao primeiro ponto de sono obrigatório. Dois dias haviam se passado e a equipe persistia, doída, frustrada, mas por algum motivo, sempre para frente.
Em algum lugar da Serra do Espinhaço, 24 de novembro
Depois de 3 horas gélidas de descanso, acordamos, literalmente. Na verdade, acordamos para a prova! Aos poucos, começamos a ajudar um ao outro e a nos entender melhor. Como num passe de mágica, as coisas começaram a se encaixar. “Soninho salvador foi esse” era o nosso pensamento. Passo firme para frente, transição amigável, algumas horas de caminhada e uma descida íngreme por um caminho de pedras, daí veio o primeiro longo trecho de mountain bike. Um pouco sofrido no começo, muitos “empurra bike”, pirambas sem fim, mas a equipe engatou e acabamos por sermos recompensados com um refrigerante gelado e pão de queijo, que achamos em alguma vila de Minas. Terminamos bem este pedal, pelo menos felizes, recompostos e prontos para o mais belo trecho de trekking da prova.
O caminho para o Cânion do Funil foi espetacular. A equipe, agora mais unida, percorreu rapidamente o emaranhado de trilhas que levavam ao cânion, de beleza ímpar. Apesar de chegarmos ao cânion já no pôr do sol, a pouca luz que restava foi suficiente para nos mostrar um dos lugares mais divinos da nossa jornada. Deslumbrados e sem palavras, escalamos as pedras em direção a mais uma pequena vila Mineira.
Depois de mais um AT, mas agora sem perder tempo e focados, voltamos às bicicletas no meio da noite e encaramos mais um longo pedal onde eu ressaltaria a passagem pela cidade de Serro. Aquelas ruas de pedras às 7 da manhã pareciam uma coisa de outro mundo. Sono, cansaço, sol da manhã e a peculiaridade arquitetônica daquele lugar eram ingredientes para uma mistura sem igual, alucinante. Mas, infelizmente, a corrida de aventura não te dá muito tempo para divagar e aproveitar a beleza peculiar dos lugares. Em corridas de aventura, a beleza e intensidade dos lugares pelo qual você passa são sentidas de uma maneira muito peculiar por cada um. Ressaltados pelo cansaço, nossos sentidos ficam mais aguçados e tudo é absorvido sem razão ou intenção. Vai tudo direto, sem coar, para algum lugar dentro de nós. E por mais que tentemos resgatar tudo através da palavra, escrita ou falada, a melhor parte fica sempre na memória. De volta a prova, prosseguimos por um dos poucos trechos da Estrada Real onde árvores amenizavam o já intenso calor da manhã. Um pedal tranqüilo até o PC14, onde fomos recepcionados como heróis pelas lindas crianças da cidade de Santo Antonio do Itambé. Tive que dar um milhão de autógrafos. Não entendia aquilo que estava acontecendo, foi muito emocionante. Saímos dali atordoados pela bondade e carinho das pessoas deste mundo. Um momento único para todos.
Santo Antonio do Itambé, 25 de novembro
A subida ao Pico do Itambé nos colocou de volta a realidade. De aproximadamente 700 metros de altitude, encaramos o desnível de 1300 metros até o pico. O sol queimava forte, mas persistimos nas passadas largas, pois o que mais nos assustava era a descida que iríamos encarar após a chegada ao pico. No briefing técnico, a organização da prova foi categórica quanto à dificuldade desta descida, que se daria por entre pedras escorregadias e penhascos. Por isso, queríamos fazer a descida da montanha antes do anoitecer, evitando assim maiores problemas. Conseguimos! Chegamos no topo do Itambé às 16 horas. Parada rápida para um chá delicioso, que um senhor para lá de gente fina e que cuidava do PC nos proporcionou, mas em menos de 15minutos, lá estávamos nós, desescalando as rochas, rumo a mais um longo trekking por terras mineiras. A descida em si ocorreu tranqüilamente, apesar dos avisos e orientações.
O trekking que seguiu a descida foi doloroso do ponto de vista do sono. Se não fosse a companhia de outra equipe, que com um bom bate-papo nos manteve acordados, sem dúvida acabaríamos por cair em algum canto do mato e cochilaríamos um bocado. O sono era forte, mas persistimos em pé, chegando depois de 8 longas horas. Mais um AT. Agora para transicionar do trekking para a bicicleta. Desta vez, nossa querida equipe de apoio havia nos preparado uma surpresa. Camas para dormir! Em uma pousadinha para lá de aconchegante, fomos presenteados com um cochilo de 1 hora em uma cama limpa e macia. Tudo bem que na minha percepção essa hora durou não mais que um segundo, pois no momento em que sentei na cama, no instante seguinte já ouvia alguém gritando: “vamos, vamos, temos quer ir; vai, levanta, come alguma coisa e suma daqui”. Enfim, a gente não podia parar, certo? Mas valeu a intenção e o carinho dos nossos apoios. Preciso voltar àquela pousada um dia, e lá, vou dormir umas 20 horas sem interrupções.
São Gonçalo do Rio das Pedras, 26 de novembro
Levantamos de bom humor. Sorridentes, às 3 da manhã, encaramos o pedal que nos levaria a Subida da Lingüiça e a Serra da Matriculada. Na longa subida da Lingüiça, travamos nosso duelo particular com uma equipe internacional. Foi demais, pois enquanto eles empurravam suas super bikes, nós os passamos. A gente estava pedalando lentamente (era uma piramba mesmo), mas constante, de bom humor e para frente. Acho que isso os enlouqueceu um pouco, pois dali a pouco, eles vieram babando. Mas até aí, já tínhamos feito o estrago e continuamos nos divertindo, travando um pequeno duelo ciclístico naquela “lingüiça” de subida. Uma equipe passando a outra por algumas horas. Foi divertido poder “competir” um pouco em plena manhã de prova.
No começo da Serra da Matriculada, outro momento engraçado nos distraiu. Após o PC17, uma bifurcação que não constava no mapa me intrigou. A minha esquerda, a uns 200 metros de distância, uma pedreira, me chamou atenção. Na pedreira, dois enormes blocos de mármore pairavam ao lado de um homem de cabelo moreno, vestido de calça bege e camisa vinho que, ao meu ver, trabalhava por ali. Como eu tinha dúvida sobre a direção a seguir, pedi ao Catarina que fosse na frente para perguntar ao homem se estávamos na direção certa enquanto eu esperava pelo Oreste e a Marcela, que vinham logo atrás. De longe, depois de conversar com o homem da pedreira, o Catarina acenou dizendo que o caminho era aquele. Logo avisei ao Oreste e Marcela que prosseguissem naquela direção, enquanto eu arrumava algo em minha mochila. Prossegui instantes depois para encontrar os três retornando e me xingando: “Porra, o caminho não é esse, e esta estrada acaba ali”. Achei aquilo estranho e xinguei de volta: “Meu, mas o Catarina falou com o cara, e ele disse que era por aqui”. Chega então o Catarina que me diz: “De que cara você está falando? Não tem ninguém aqui!” Alguém falou em alucinação em corrida de aventura? Realmente, como diz o Ian Adamson, corridas de aventura são prejudiciais aos neurônios. Não tentem fazer isso em casa!
Consciência recuperada, e dá-le Serra da Matriculada. Pedal de verdade. Mountain bike com M e B maiúsculo. Aos ciclistas perdidos lendo esta história, é lá “o pedal”. Show de bola! Se joguem.
Extração, ainda 26 de novembro
Depois do maior “downhill” seguido da maior subida da história (carregando a bike, é claro!), chegamos à bela Gruta do Salitre, onde rapelamos 70 metros para, depois, nos enfiar em uma caverna, sair e gastar às 4 horas de sono obrigatórias que nos restavam. Descansamos debaixo da sombra de uma jabuticabeira, felizes e com a barriga cheia de um delicioso fricassê de frango com purê de batata, cortesia da nossa querida Liofoods. Antes do descanso, fizemos as contas que indicaram que bater o horário do dark-zone antes do remo seria impossível. Então, sem stress, relaxamos como reis, em um lugar paradisíaco.
Acordamos descansados como nunca nesta prova. Serenos, corremos para o AT e pegamos nossas bikes para encarar um pedal tranqüilo, apesar dos trechos nervosos de downhill e subida, até a área de dark-zone na beirada do Rio Jequitinhonha, local do último trecho de remo da prova. Chegamos cedo no dark-zone. Devia ser umas 7 da noite, o que era muito bom porque tivemos tempo para um momento de descontração e relaxamento no meio da prova. Juntos a outras equipes, dividimos uma bela janta, com salada de frios, macarrão e muita comida liofilizada. Uma delícia de comida e de companhia. Perfeito descanso antes da difícil e técnica etapa de remo (devido às corredeiras) que estava por vir.
Rio Jequitinhonha, próximo a Mendanha, 27 de novembro
Mas como moleza em corrida de aventura dura pouco, as 5 e pouco da manhã (horário da re-largada), fui acordado por um bando de corredores de aventura em pânico. Havíamos perdido a hora, e já se passavam 10 minutos do horário de entrada no rio. Em questão de segundos eu sai do sleeping bag (tão quentinho...), fui ao banheiro, corri 100 metros contra o Usain Bolt e lá estava eu dentro do rio (frio), remando e dormindo. “Putz, não comi nada! E agora? Tudo bem, como algo no caminho”, pensei inocentemente. E quem disse que deu tempo? Nunca remei tão forte na vida. Foram 3 horas e 50 minutos ininterruptos de remo. Minto, paramos uma vez para eu tomar 2 goles da caramanhola e só! Cheguei no AT vesgo de fome e sede. Mas foi bom! O Rio Jequitinhonha é lindo e nunca a equipe esteve tão engrenada. Foi bonito de se ver. Tudo bem que já estávamos na reta final da prova e agora já podíamos chegar como um time. Unidos. Quanto às temidas corredeiras, estamos procurando até agora.
Comi um saco gigante de pão de queijo, uma dúzia de cajuzinhos, outra de beijinhos e dois litros de suco. Sim, ter equipe de apoio é tudo nesse mundo.
Seguimos em mais uma perna de trekking de 20km, desta vez, pelo Caminho dos Escravos. Ali, no ponto máximo da Estrada Real (que começa em Paraty, no Rio de Janeiro), iniciava-se o fim de nossa jornada no Ecomotion. Pedra sob pedra, a estrada construída por nossos queridos irmãos africanos era o ponto de ligação entre as minas de diamante e ouro do Rio Jequitinhonha e a cidade de Diamantina. Dali, as riquezas da nossa terra partiam, através da Estrada Real, para o mundo. “Velho Mundo” diga-se de passagem. Percorremos sobre a história de nosso País. Foi uma percepção legal que tivemos, um momento de reflexão. Adrenalina crescendo junto com a ansiedade da chegada, em um momento coroado por pensamentos do tipo: “cara, eu estou aqui reclamando dos meus pés, mas há 500 anos os escravos faziam isso de pés descalços, carregando pedras nas costas e levando chicotadas!” História que nos fez refletir, olhar para frente e sorrir por termos evoluído, ainda que com muitos defeitos, mas com uma melhora considerável em comparação com aqueles tempos. Bela trilha para terminar nossa longa jornada pela Serra do Espinhaço.
Ponto final na vila de Biribiri. De novo nas bicicletas, fomos para o último “downhill em subida” até Diamantina. Sim, eu disse “downhill em subida”, pois assim é Minas Gerais, tudo sobe, sempre. O “downhill” é simbólico.
E a última subida já deixava saudades. Emoção a flor da pele. O sol queimando os pensamentos, o suor que pingava se confundia com as lágrimas de felicidade pelo fato de termos chegados até ali. O Ecomotion chegava ao fim. A emoção de completar uma prova do nível do Ecomotion (ainda mais do nível desta edição), repleta de altos e baixos, tanto na geografia quanto nas emoções vividas, não tem como descrever. Somente quem correu a prova pode entender.
Diamantina, 27 de novembro, 14 horas
O momento da chegada é pequeno perto da jornada, mas é fundamental. É um ponto final para alguns e uma virgula para outros, mas enfim, é a chegada. É ali que tudo se une. Os quatro integrantes da Equipe Xingu-Liofoods-Arco e Flecha cruzaram lado a lado o pórtico de chegada. Com este momento simbólico, a equipe, unida, cumprira seu maior desafio, o de ser uma Equipe.
Definir “equipe” é complicado. Definiria a Equipe Xingu-Liofoods-Arco e Flecha assim: Juntamos o Marcelo, o Catarina, a Marcela, o Oreste, o Rodrigo, a Luciane, a Rose (Liofoods), o Augusto (Arco e Flecha), os nossos amigos e as nossas famílias, colocamos todos em um balaio, chacoalhamos e jogamos para cima. O que sair, saiu.
Agradecimentos
Para finalizar, quero agradecer do fundo do coração a força que todos os que acompanharam a Equipe Xingu-Liofoods-Arco e Flecha nos deram durante o Ecomotion e nos dão desde sempre, dia-a-dia, corrida-a-corrida.
Às empresas Liofoods e Arco e Flecha, agradecemos pelo desprendimento dos negócios e apoio incondicional que nos foi dado. Sem as comidas maravilhosas da Liofoods e dos equipamentos de primeira da Arco e Flecha, dificilmente chegaríamos até onde chegamos. Aos corredores, peço que invistam nestas empresas, afinal, elas apóiam pra valer nosso esporte. Sem eles, talvez teríamos tido 4 atletas a menos nesta prova. E aos empresários, mais apoio. O esporte merece. Ele resume a essência do ser humano. As oportunidades, para ambos, tem resultado comum e certeiro: crescimento!
O Ecomotion foi extenuante, mas incrível. De longe, a corrida de aventura mais difícil que já fiz em minha vida, mas também a mais gratificante. Uma experiência de vida sem paralelos.
Estar entre as 10 melhores equipes de corrida de aventura do Brasil é uma honra, mas mais importante do que isso é saber que, mesmo com pouco tempo, fizemos amigos como vocês. Isto é de longe, a melhor parte da história aqui contada!
Paz
Marcelo Catalan
Equipe Xingu-Liofoods-Arco e Flecha
www.liofoods.com.br
www.arcoeflecha.com.brMais uma prova , mais uma missão, pouca perspectiva, pouca organização previa.. isso foi o resumo do Ecomotion Pró 2009 para Equipe Selva. Mas tem um porém, uma vez a missão foi dada para SELVA a missão será cumprida custe o que custar.
A equipe era formada por mim (Caco), João, Marcelinho e primeiramente Rose. Primeiramente pois a Rose sofreu um acidente 2 semanas antes da prova. Ela deslocou o ombro e foi impossibilitada de fazer a prova (problema 1). Com isso, recorremos as outras meninas da equipe e por nossa infelicidade a Sabrina já havia acertado com a equipe do Amaury e então colocamos um reforço argentino na equipe, a Soledad. Equipe formada vamos atrás de dinheiro. O Marcinho deixou sua bike para ser vendida e utilizar o dinheiro na prova.
Problema 2 - nossos dois apoios tiveram problemas profissionais e não puderam ir... fomos atrás de alguém e logo o Netinho se propôs a fazer e uma amiga do Marcelinho também. Tudo certo, passagens de ônibus comprada, carro de apoio montado bem enxuto, pois era uma Fiat Strada e tínhamos que levar tudo lá. O carro de apoio saiu quinta de madrugada com Marcelinho e sua amiga e na quinta mesmo, por volta de 13:00, o Marcelinho me liga dizendo que sua amiga desistiu de fazer o apoio e largou ele em Três Corações com todos equipos mais as bikes e voltou para São Paulo com o carro que era dela (problemão 3). Tive que tomar uma decisão rápida...e vendi minha passagem. A Ursula me ajudou a deixar meu carro em condições para viajar e saí as 4 da madrugada de sexta-feira para resgatar o Marcelinho mais os equipamentos e seguir viagem para Diamantina.
Problema 4 – Ainda antes de viajar na quinta à noite estava conferindo o material e percebi que faltavam 2 polias e liguei para muitos amigos e graças a Deus o Alê Boccia (Goiabada) tinha esse equipamento e foi me encontrar as 4:30 da manhã na marginal Tiete com as polias... obrigado Alê, isso não tem preço...ou poderíamos por o preço nas polias, pois perdi.....brincadeira......
Viagem longa, 11hs depois chegamos em Diamantina... ô região linda... pudemos observar o que seria a prova.... O João e a Sole já haviam chegado e estavam na casa que alugamos... isso vale destacar, era um bairro afastado da cidade, mais humilde, mas as pessoas super bacanas. Fizemos muitas amizades e até eu e o Marcelinho organizamos um passeio ciclístico com as criança da comunidade pelo bairro. Não tinha restaurante, mas o Luiz, dono da casa que alugamos, era chefe de cozinha ... foi lindo... arroz, feijão, galinha caipira, farinha... isso que é suplemento pré prova...comida boa!!!..
Organizamos tudo fizemos checagem, fomos para a abertura da prova e finalmente domingo de manhã vamos para largada que ficavam 250 km de Diamantina... opa!!!!... como vamos (problema 5)? A Strada não cabia 2 apoios mais 4 da equipe... um detalhe que esqueci: o 2º apoio foi cedido pelo Rafa da GoOutside lá em Diamantina... o Bruno é uma ótima pessoa. Foi sua 1ª vez como apoio, caiu de pára-quedas na equipe e vestiu a camisa e fez uma excelente assistência... obrigado Brunão!!!!
Voltando, lá estava a Selva pedindo carona no comboio e por sorte tinha algumas vagas na van da imprensa.
A prova... como foi duro chegar na largada ... confesso que pensei em desistir, mas eu encaro isso com um teste para ver se somos fortes mesmo para cumprir a missão. Agora, depois de tantos imprevistos antes da prova, acabou né!!!! Vamos fazer o que sabemos e treinamos para isso e o principal, apreciar as paisagens que viriam no percurso.
A largada como sempre foi forte e logo na 1ª hora a Sole torceu o tornozelo... ficou um pouco no chão, mas logo levantou e prosseguiu. Fizemos um trekking bom, constante, mas conseguimos assumir a 4ª posição após a canoagem de 60km. Saímos para um trekking de 60 km com muito calor, mas com uma paisagem incrível e finalizamos na 3ª posição colados com os 2º colocados após um corte sem trilha por cima de uma montanha e descemos por um penhasco... Nesse momento pedi para equipe acelerar, pois estava no final da tarde e descer o penhasco à noite não seria um boa idéia e acabou que deu certo e tiramos 30 min da equipe da frente.
Saímos para uma bike e tivemos um contra tempo de 1h com problemas mecânicos na bike da Sole e o João e Marcelinho conseguiram sanar o problemas para prosseguirmos na competição. Chegamos no próximo PC em 2º. A equipe na frente deve ter parado para descansar, pois era a 2ª noite de competição. Optamos pelo caminho mais longo e com menos dificuldade e ainda paramos para dormir 30 minutos e quando chegamos na bifurcação do caminho mais curto encontramos com a equipe do Camp. Ficamos na dúvida em qual seria o melhor caminho, pois eles pararam também para descansar.
Terminamos a Bike de mais ou menos 60 km com bastante subida (na verdade não lembro das descidas parece que só subiu!!!!!). Saímos para um trekking curto, porém com navegação... a Lontra entrou à noite, sofreu para sair e perdeu um tempo nesse trecho. Entramos entramos cedo e passamos fácil, mas o sol estava castigando. Terminamos o trekking e partimos para uma bike de 55 km com uma parte de singletrack maravilhosa para quem gosta... 3 km antes do single a Sole sofreu uma queda espetacular (problema 6), mas se fosse na ginástica artística ganharia 10,0 pelo mortal duplo carpado e com um detalhe: com a bike. Logo pensei: acabou a prova, chama o resgate, mas a Argentina foi casca grossa. Fiz os curativos, ela levantou e falou alguma coisa que não entendi... já que não sabia o que ela estava falando, concordei... si, si, si... vamos para frente...
Daí para frente começou a saga Selva. Ela ficou com medo dos downhills, totalmente compreensível depois daquela performance artística.... Terminamos a bike e fomos ultrapassado pela equipe de Paul Romero no final e partimos para um trekking longo e com muito mais subida... essa foi a parte triste da prova... tínhamos muito sono, paramos para dormir 5 minutos e ficamos 2:30h... erro imperdoável, mas eu acho que tinha um propósito: chegamos no cume da montanha de 2000 metros de altitude ao nascer do sol... isso vamos guardar em nossas memórias. No final da escalada a Sole já apresentava muito cansaço e muitas dores na lombar e o pé bem avariado... dormimos mais 4h00 no topo - obrigatórias - e partimos para segunda parte do trekking ...ajudando a Sole.
Terminamos o trekkinng, mas a Sole já estava em uma situação ruim e teríamos uma bike de 50 km dura... nessa bike fizemos um ótimo trabalho em equipe, pois praticamente arrastamos a Sole, destacando a força de Marcelinho e a disposição de João em colocar a equipe para frente.
Chegamos no PC 19 às 5 da manhã de quinta-feira e a Sole estava debilitada. Ficamos muito tempo na transição, sendo ultrapassados pela equipe dos Espanhóis e a TrotaMundo (gostaria de parabenizar a equipe pela excelente prova e agradecer seu apoio, o Flavinho, que tanto ajudou a Selva nas transições e o Darcio, que se mostrou super prestativo nas nossas transições... somos eternamente gratos... isso já valeu a prova).
Saimos então para um trekking curto de 1 km para fazer o rapel e em sua base tínhamos que dormir mais 2 horas obrigatórias, completando assim as 8 horas de sono estabelecida pela organização . Descansamos e voltamos para o mesmo PC 19 que agora era o PC 21, transição para a bike. Depois de mais um tempo na transição, saímos de bike com a Sole avariada em um trecho técnico com subidas que precisava carregar a bike... fizemos um força mútua e completamos o trecho e partimos para uma canoagem de 30 km no rio Jequitinhonha com algumas corredeiras tranqüilas, pois o volume da água estava baixo.
Deus olhou lá de cima. e falou "caramba essa equipe é carne de pescoço mesmo, estão levando a menina já a quase 200 km...vou testar eles mais um pouco!". O todo poderoso aqueceu mais um pouco o sol e BUMMMM!!! o duck (barco infernal) explodiu!!!! Só faltavam 25 km mesmo, Deus, eu adoro remar duck furado mesmo!!!! Nossa sorte foi que encontramos um Anjo da organização em uma das portagem e ele foi buscar outro duck de moto para continuarmos descendo o rio.
Terminamos e o Netinho esperava a gente na saída do rio com uma carrinhola de construção para levarmos a Sole até a transição. Fizemos a transição e partimos para um trekking de 19 km carregando a Sole em uma rede improvisada pelo Netinho para carregar feridos de guerra... subimos o caminho real e logo chegamos na ultima transição para pegar a bike e partir para os últimos 15 km de muita subida até a chegada....
Finalizamos a prova em 4 dias e 8 horas com 11hs de sono na 6ª posição e o mais importante, com 2 aprendizados inesquecíveis: 1) a equipe tem um força incrível se trabalhar junta; 2) Problemas vão sempre aparecer nas nossas vidas, como você encara isso que é o grande segredo.
Essa prova foi especial no sentido de conhecer a Soledad, uma atleta muito forte por suportar a situação que chegou sem desistir, sem chorar, sem reclamar e nós sem entender o que ela falava!!!! Será que ela pediu para parar e agente não entendeu!!!! Bricandeiras a parte, ela está de PARABÉNS! muito guerreira. A outra parte importante são os amigos, alunos e familiares, que torceram muito mandando recados telefonemas ..isso é a nossa motivação maior nessas competição.
Agradecemos
- Timberland pela inscrição da prova;
- Kailash pelos equipamentos fornecidos para competimos;
- Probiótica pela toda suplementação da equipe;
- Ciclocaravelle e Djalma que apoio nas revisões das bikes antes e durante a prova;
- Ao restante da equipe Selva, principalmente a Ursula e o Alã, que foram os principais motivadores, apoiadores e incentivadores para a equipe alinhar para a largada;
- Ao apoio das equipes: Trotamundo, Life Guard, Lontra...pela força nas transições;
- Ao Alê Boccia pelo doação das polias (que perdi) e de ter levado de madrugada na sexta na marginal;
Obrigado à todos
INFANTARIA!!!SELVA!!!!
Caco Fonseca
Timberland Selva Kailash
A edição 2009 do Ecomotion Pro foi considerada por muitos como a mais dura já realizada. O terreno montanhoso, com suas longas e íngremes subidas, exigiram muita força e também concentração e persistência para que os atletas não desistissem.
As consequências do percurso que exigiu muito mais dos membros inferiores foram as bolhas e machucados nos pés. Quem não tomou os cuidados necessários terminou a prova com os dedos e pés enfaixados ou envoltos em esparadrapos, mesmo após tratados pelos enfermeiros em cada área de transição.
Como sempre dizem, tudo pode acontecer numa corrida de aventura, e esta prova acabou se tornando mais interessante da metade para o final. A QuasarLontra conseguiu uma grande vantagem na travessia Cipó-Lapinha. A diferença chegou a ser de 7 horas em relação à segunda colocada, mas dois erros de navegação colocaram a Adventure Camp Repelex na frente. As equipes começaram a andar juntas e a vitória seria tranquila se uma delas conseguisse passar pelo dark zone. Nenhuma delas conseguiu e a decisão foi adiada para a quinta-feira.
Antes da largada a pergunta que ficava no ar era: quem vai ganhar a prova? Era possível separar algumas equipes olhando a lista oficial, mas a tarefa ficava mais difícil ao ver os integrantes de cada uma delas, pois a única que tinha a formação mais conhecida era a QuasarLontra.
Independente da formação, a única equipe brasileira vencedora do Ecomotion Pro até então estava na lista de favoritos ao lado da Adventure Repelex e Team Oskalunga Internacional, ambas com atletas estrangeiros. As outras equipes simplesmente se tornaram uma incógnita, pois em sua maioria corria com uma mistura de integrantes e o entrosamento dos atletas é item importante em uma prova de longa duração. Desconhecer o ritmo e a personalidade de seu companheiro de equipe pode significar a saída prematura da corrida.
O lado positivo dessa mistura é que o nível das equipes, em uma análise rápida, foi nivelada. Dentre as 31 equipes que largaram apenas 6 não cruzaram a linha de chegada, representando 20% de desistência, mas mesmo assim foi um número baixo para o nível de exigência do percurso. Outras 4 equipes foram direcionadas para a chegada com a criação de um corte extra no PC16.
Provavelmente a mistura das equipes tornou o elo mais fraco de cada uma delas um pouco mais resistente, quase que uma seleção de atletas, e eliminando o fator de risco de trazer uma pessoa muito inexperiente apenas para completar a equipe. Nas equipes em que aconteceu a substituição de última hora – literalmente, com substituições no dia anterior à largada – os atletas que entraram já tinham participado de provas longas, como aconteceu com a equipe Trotamundo (Jean Finkler) e Carbono Zero (Charles Sá).
Aliás, Charles deveria receber um prêmio à parte pela substituição de última hora. Sem pretensão nenhuma de participar da corrida – já tinha até anunciado sua aposentadoria – seguiu de bicicleta até Diamantina, percorrendo a Estrada Real a partir de Ouro Preto, e se viu obrigado a entrar na equipe e correr com equipamentos emprestados.
Outra superação que deve ser citada é da atleta argentina Soledad Maria Cristiano, que fez parte da equipe Selva. Ela sofreu bastante durante a prova e chegou a cair diversas vezes, tanto a pé quanto de bicicleta. No trecho final da segunda canoagem as equipes tinham que percorrer um trecho de pouco mais de 100 metros de areia da beira do rio até a área de transição mas ela não conseguia andar. A equipe então conseguiu um carrinho de mão e a carregou até o AT. No trekking seguinte a equipe construiu uma rede e a carregou novamente.
Apesar de tudo isso, e de passar um tempo no hospital após a chegada, a atleta subiu no palco com suas próprias pernas para receber a premiação, sinal de que já estava bem melhor.
Outro fator que tornou a prova bastante difícil, tanto para os atletas quanto para as equipes de apoio, foi o forte sol durante todos os dias de prova. Qualquer rio no meio do caminho servia para o resfriamento do “radiador”. Em algumas cidades as equipes de apoio sofriam para achar um local com sombra e muitas vezes tinham que ir movendo as coisas de lugar conforme a mudança de posição do sol.
Ruim com o sol, pior seria com a chuva, pelo menos para as equipes de apoio. Se chovesse forte muitos carros não conseguiriam chegar em algumas áreas de transição, pois algumas estradas eram íngremes e já eram difíceis de transitar. Provavelmente a corrida de transformaria num caos, com equipes chegando nos PC's e seus apoios, não.
E como sempre, elas tiveram que trabalhar muito para garantir um bom desempenho das equipes . Os deslocamentos foram bastante longos e cansativos e muitos tiveram imprevistos com carros e carretas quebradas. Algumas cidades eram pequenas demais e não havia local para comprar mantimentos ou os locais estavam fechados durante a noite, pois ninguém espera que uma caravana apareça no meio da semana e da madrugada procurando algo para comprar.
A seção de canoagem foi novamente o ponto polêmico da prova. No ano passado a questão foi não ter água no rio e neste ano, a realização do Dark Zone e as regras que seriam aplicadas. A discussão ficou em torno de como as equipes largariam na manhã do dia seguinte - com a diferença de tempo de chegada ou de 10 em 10 minutos - e como ficaria a classificação caso uma equipe ficasse 12 horas paradas e outra chegasse no PC de manhã, sem parar no dark zone e consequentemente, sem descanso.
Ao final alguns atletas disseram que o dark zone não seria necessário, pois a descida do rio não era tão perigosa quanto imaginavam e que o primeiro rio tinha sido muito mais difícil. Isso se deve ao fato do nível de água estar muito mais baixo do que quando a organização visitou o local e fez a descida do rio.
A menor presença de equipes estrangeiras tirou um pouco do glamour do Ecomotion Pro deste ano, mas a proximidade do mundial tornou impossível a vinda delas para o Brasil. Ano que vem o problema pode se repetir, pois o Bimbache Extreme, prova anfitriã do ARWC 2010 e organizada por Antonio de La Rosa, acontecerá no mês de outubro.
Para finalizar, os parabéns para Caroline Schineider (Carbono Zero / RN), Gustavo “Gaia” Chagas (Milleniun Daventura Makaíra / BA) e Glauco Chagas Alves (Papaventuras -Orientista.com / Família Extrema / RS), que foram os aniversariantes nesta semana de aventura pelo interior de Minas Gerais.