ETAPAS |
Carlos Botelho Petar Santa Rita Litoral Campos do Jordão Rota Nordeste Juquiá
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Texto: Ana K. Rodrigues Resistência foi a palavra-chave em Etapa Santa Rita A Caloi Lontra Radical foi a vencedora da etapa de Santa Rita, terceira etapa do Circuito Brasileiro de Corridas de Aventura, realizada nos dias 19 e 20 de maio entre as cidades de Santa Rita do Passa Quatro e Porto Ferreira, na região central do Estado de São Paulo. O time, que contou com Nora Audrá (da equipe Atenah) além do capitão Victor Lopes e do navegador Luís Antonio Barbosa, completou os 152 km do percurso em 24h04min, tempo previsto pelo organizador da prova, Sérgio Zolino de Sá. Mas a briga foi mesmo pelo segundo lugar. A Tribo dos Pés, liderada por Eduardo Coelho, e a NSF NSD, de Luis Makoto, disputaram cada metro do último trecho de bike da prova, saindo da AT-6, na Fazenda São Luiz, até a chegada, no Clube de Campo, no centro da cidade de Santa Rita. A diferença entre as duas equipes foi de apenas 3 minutos. |
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Além das três primeiras, mais seis equipes encerraram a prova na Categoria Expedição: A Bicho do Mato, de São Carlos, liderada por Kiko Reis; a I Bike, de Cao Stinchi; a Rosa dos Ventos, de Erich Feldberg; a novata Os Kalunga, de Monclair Camannota; a Progress Quasar, de Gabi Carvalho e a Original Kayaks, capitaneada por Mara Carvalho. Das 31 equipes inscritas, apenas 11 completaram a competição. Uma das maiores surpresas foi a desclassificação da Reebok, que liderou com larga vantagem até o AT-2 (chegada da etapa de 30 km de remada no Rio Moji Guaçu). O time cometeu um erro de navegação e não passou no PC-2. "Foi um erro grosseiro, admito. O PC estava cerca de seis quilômetros da onde o plotei", comentou o navegador e capitão Rafael Reyes. Trechos rápidos - A resistência foi o fator determinante na prova, com etapas curtas, que exigiram transições velozes. Dos 152 km do percurso total da prova, mais da metade (80 km) foi de bike, com alternância de down e uphills em terrenos arenosos e terra. Os times enfrentaram bastante frio durante a perna noturna de bike até o AT-6/PC-18. Quem sofreu mesmo com as baixas temperaturas foram as três primeiras equipes, que fizeram o canionyng nas primeiras horas do dia. As demais foram beneficiadas pelo sol forte da manhã de domingo. Hino Nacional na largada - A largada da prova aconteceu às 8h da manhã do sábado, dia 19, em frente ao Museu Zequinha de Abreu, localizada na praça central da cidade de Santa Rita. O coral da cidade entoou o Hino Nacional Brasileiro na varanda do museu, que homenageia uma das grandes personalidades santa-ritenses. A multidão colorida de atletas se alongando na grama da praça e ajeitando os últimos detalhes para a prova causou curiosidade e admiração na pacata população. As
31 equipes (entre elas muitas que faziam sua estréia em provas
de aventura) partiram para 19 km de bike, passando por uma trilha com
um trecho de single treck e depois cruzando a rodovia Zequinha de Abreu,
no sentido Porto Ferreira. A chegada dessa etapa foi ao lado de uma
bela ponte sobre o Rio Moji-Guaçu. A primeira equipe a chegar
foi a Reebok (14), de Rafael Reyes, Marina Verdini e Fabrizio Giovanini,
seguida da NSF NSD (27), da Allayeja (02) e da Gesner (21). Durante o trajeto na canoa era possível ver várias espécies da fauna local junto à mata ciliar, como garças, gaviões e jaburus. Cheio graças às chuvas dos últimos dias, quase toda a extensão do rio era de remanso, com um pequeno trecho de corredeiras (nível 2, no máximo), que exigiu um cuidado maior para não virar a canoa. A Reebok dominou esse trecho, com uma vantagem de mais de meia hora sobre os outros colocados. Mas ao chegar na AT-2, foi desclassificada por não ter passado pelo PC-2, que ficava numa bifucarção da Fazenda Matoso. "Passamos pelo lugar onde achávamos que era o PC e tinha um pessoal da organização, perguntamos se tinha de assinar, eles responderam que não. Na verdade, foi um erro de navegação mesmo, assumo", lamentou Rafael Reyes, capitão do time. A
equipe optou por continuar a prova, mesmo desclassificada, mas, desmotivada,
acabou desistindo no próximo AT, no Núcleo Vassununga.
Além da Reebok, outras duas equipes, Simbiose (26) e Ferrino
(22) não passaram pelo PC-2, mas voltaram e o encontraram. Com
a desclassificação da Reebok, a liderança ficou
com a Gesner (21), seguida da Lontra (11), da NSF NSD (27) e da Tribo
dos Pés (28). "Nossa, olha isso! Jesus Cristo nem era nascido e essa árvore já estava aqui!", admirou-se Maurício Diglu, da Progress Quasar. Na AT-3/PC-6, no Núcleo Vassununga, no Parque Estadual de mesmo nome, os atletas tiveram de dizer qual era a árvore que haviam visto e quantos anos ela tinha. A liderança da prova passou a ser ocupada pela Tribo dos Pés (28), seguida pela NXR (15), Lontra Radical (11) e Bicho do Mato (25). Um
pequeno trekking de 8km, passando pelo Ribeirão da Gruta foi
a próxima etapa, que acabava na Estância Carolina (PC-8).
Lá um competidor de cada equipe deveria escolher e selar o cavalo
a ser usado no ride´n run (14 km). Alguns atletas tiveram problemas
com seus animais, mas nada que uma boa dose de paciência não
resolvesse. "Cavalinho bonzinho, vamos embora, a corrida continua",
dizia Luis Makoto ao seu animal, que insistia em não permitir
que ele lhe montasse. O
ride´n run foi numa estrada de terra que cortava culturas de café
e muitos pastos. Os cavalos foram entregues, sem a presença da
equipe de apoio, no PC-10, de onde os competidores partiam para mais
um trekking de 10km. O PC-11 era virtual, com uma frase que deveria
ser repetida no PC-12. Algumas equipes demoraram a achar o PC, que ficava
numa junção de rios (Ribeirão Quatro Córregos
e
Ribeirão Pombas), da onde deveria partir uma trilha que levaria
ao PC-13, navegando a sul. "Demoramos muito e não achamos
a tal trilha. O jeito foi atravancar", contou Nora Audrá,
da Lontra Radical. Kiko protagonizou uma das cenas mais divertidas desta transição. Ao chegar ao apoio, no maior alto astral, tirou os tênis que usava e os arremessou numa fogueira que a organização acendeu no meio do acampamento para aquecer os atletas, apoios e demais envolvidos na prova. "Foi um ritual simbólico. Essa porcaria já tava matando os meus pés, chega!", disse, divertido e disposto. Nisso a fria noite de sábado já havia chegado e a prova já estava na metade. Alguns times já começavam a sentir o cansaço de quase 20 horas de competição. A Projeto Mulher foi a primeira baixa da prova. Uma de suas integrantes, Laís Fleury, torceu o pé e recebeu os cuidados dos massagistas que atendiam os competidores e do doutor Clemar Corrêa, mas decidiu se poupar e parar. Karina Bacha, da Aventura, também torceu o pé no trekking e sentia muita dor. Recebeu os cuidados do médico da prova e saiu ao lado de Alexandre Freitas e Zé Pupo para a longa perna de bike, como se nada tivesse acontecido. O
primeiro corte da prova aconteceu também na AT-4/PC 13. As equipes
que não chegassem até às 4h da manhã de
domingo não fariam a perna de bike de 44 km e cairiam para a
categoria Alternativa. Deveriam partir direto, também de bike,
para a AT-5 (PC-18) num trajeto de 19 km em estrada asfaltada. A primeira equipe a fazer o rapel foi a NSF NSD, por volta das 23h15, poucos minutos antes da Lontra Radical. Quando Victor, o segundo da Lontra a rapelar, estava entrando na corda, chegou a Tribo dos Pés. As três equipes saíram praticamente juntas para mais 22 km de trekking, incluindo o canionyng, onde fariam mais dois rapéis. Enquanto as três primeiras estavam a poucos passos do fim da prova, no AT-5 a espera continuava. Quem não chegasse até as 7h da manhã estaria fora da categoria Expedição, e não faria o canionyng, devendo fazer o rapel, voltar para o PC-18, pegar as bikes e seguir para a chegada, no Clube de Campo. A Bicho do Mato chegou às 2h30, seguida da Aventura, cujos membros se desentenderam e resolveram abandonar a prova. Seguiram-se Rosa dos Ventos, I Bike, Progress Quasar, Os Kalunga e Original Kayaks. Saindo
da estrada de ferro, as equipes que ainda estavam na categoria Expedição
subiram por uma trilha, passaram pelo PC-20, que ficava no alto de uma
montanha, até alcançarem o PC-21, que era o trecho de
canionyng. Uma descida de 800m pelo leito do rio era a forma de chegar
a uma das mais esperadas e bonitas etapas da prova. Depois de fazerem
os dois rapéis, os times seguiram na direção oeste
por estradas de terra, passando pela Serra de Santo Onofre, até
chegarem à AT-6/PC-22, que ficava na Fazenda São Luís,
que antes havia sido a AT-4/PC-13. A Bicho do Mato, quarta equipe, chegou a essa transição apenas às 12h do domingo. "Você não vai acreditar, mas a gente parou, dormiu quase quatro horas depois de dar umas cochiladas andando e quase caindo. E nada de vir alguém atrás da gente", contaram Kiko e Tiago, dois dos membros da equipe. Para Matilde Rosel, que estava competindo pela primeira vez, o frio do canyoning foi a pior parte. "A gente ainda deu sorte de pegar o sol. Os caras que estão na frente devem ter sofrido muito mais", comentou. Quando
a Bicho do Mato chegou ao Clube de Campo, local da chegada da prova,
já fazia mais de cinco horas que a Lontra Radical havia cruzado
o pórtico. A equipe completou a prova às 8h04 da manhã.
A Tribo dos Pés, vice-campeã, chegou às 8h47, e
a NSF NSD, apenas três minutos depois. A briga pela segunda colocação
foi definida apenas nos últimos quilômetros de bike.
2 - Aventura (SP) - 12 pontos 3 - Tribo dos Pés (SP/RJ) - 11 pontos 4
- 5 - Bairro da Serra (SP) - 8 pontos 6 - Supplex (SP) - 5 pontos 7
- 8
- 9
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