Papaventuras na Carrasco Cravo e Canela – Quebrando paradigmas

Postado por em 1 de Dezembro de 2011

Apenas 13 dias depois de enfrentar a Chauás 300, lá estávamos nós de novo para encarar o desafio de uma Carrasco, que embora fosse menor em kilometragem, sempre nos guarda surpresas e muitos perrengues.

Quando acertei com a Papaventuras para correr a Carrasco 2011 em Ilhéus, Valmir me pediu que convocasse o quarto integrante por aqui na região, a opção final ficou com Vinicius de Alagoas que já havia corrido comigo há uns quatro anos atrás e vinha treinando bem e fazendo ótimas corridas.

Fechado o quarteto, só tinha em mente que desta vez tentaria dar o mínimo de trabalho para a equipe, uma vez que na ocasião que corri com a Papaventuras na Terra de Gigantes dei uma atrasada nos empurra bikes e a Rose teve que me acudir.

Peguei o casal Papaventuras no aeroporto de Salvador na sexta e rumamos de carro para Ilhéus junto com minha esposa Glaucia que faria o nosso apoio na prova, via ferry boat até a Ilha de Itaparica para tentar no curto espaço que tinhamos de tempo, mostrar alguma coisa de Salvador para Valmir e Rose.

Chegamos em Ilhéus por volta das 22:00 e como o briefing atrasou ainda tivemos tempo de pegar as informações e mapas, trabalhando até tarde para deixar tudo em ordem.

Largamos da Praia numa costeira de 8 km, seguido de uma natação que atravessava o canal do pontal, onde tive muita dificuldade por ter sido levado pela maré e parando distante de onde os meus companheiros saíram, mas como essa levada de correnteza me colocou praticamente perto do PC2 não tivemos muito prejuízo.

Seguimos para a primeira transição no PC3 onde pegamos os caiaques para um trecho de aproximadamente 17 km de remo no mar, passando por uma ilha onde deveria estar o PC4, deveria pois não estava, com as 3 equipes na frente no visual passamos pela ilha e não vimos ninguém e percebemos as equipes da frente, Gantuá, Selva e Oskaba continuaram, fizemos o mesmo mas ao olhar para trás vimos uma lancha da Marinha encostando na ilha e imaginamos que poderia ser o PC chegando ou mesmo alguma informação nova, resolvemos remar de volta e recebemos a informação que deveríamos seguir, ou seja, acabamos tomando um pequeno prejuízo de tempo nesta perna que fica nítido no GPS Track.Perdemos o visual das equipes da frente mas remamos forte até o PC 5 onde na saída da água tomamos um capote nas ondas como a maioria das equipes, saímos um pouco antes do PC e tivemos que arrastar os caiaques pela praia num bom trecho.

Chegamos ao PC da praia embolado com algumas equipes e saímos rápido para um pequeno trecho de trekking e natação onde chegaríamos a segunda transição no PC 6 onde pegamos as bikes e fizemos nosso protesto junto ao organizador, só para constar.

Pedalamos rumo ao PC 7 com a dupla Olhando Aventura que tinha perdido o mapa no capote do mar e logo a frente nos distanciamos deles e chegamos ao PC 7 um pouco atrás da Makaira Millennium, em uma melhor opção de navegação passamos eles no trecho seguinte, nos encontramos novamente numa pequena mas profunda travessia de um córrego e voltamos a distanciar deles no trecho seguinte.

Ainda de bike batemos o PC 8, logo depois de mais uma travessia a nado, com a organização levando as bikes de canoa e batemos o PC 9 ainda na frente da Makaira, em 4º lugar, ou seja, recuperamos a colocação que estávamos antes da retornada do remo.

Neste trecho de bike tivemos muitas lembranças das provas do Ecomotion por conta do barro que colava nas rodas e não deixava pedalar e da Terra de Gigantes pelo empurra bikes, mas até ai tudo bem, inicio de prova e com todos ainda bem não chegamos a ser incomodados por outras equipes que vinham atrás.

Chegamos ao PC 10/AT onde Glaucia nos esperava com comida quente, um frango assado (lembrei na hora da Chauás, não sei porquê), refrigerantes gelados e água para abastecermos, com a ajuda dos apoios Pedro Pitanga da Gantuá e Luciana da Aventureiros, fizemos uma rápida transição e saímos para mais uma perna de remo, agora na Lagoa Encantada, onde faríamos o vertical.Chegamos ao PC 11 e o rapel tinha sido cancelado para todas as equipes, voltamos remando, cruzando toda a lagoa em rumo ao PC 12, uma fazenda de cacau na outra extremidade onde começaríamos um longo trecho de trekking em volta da lagoa. Batemos ainda em 4º e seguimos forte no trekking para aproveitar as ultimas horas de luz do dia, sabíamos que a Makaira Millennium estava ao nosso encalço pois cruzamos com eles na volta do rapel.

Uma trilha ora de barro, ora de pedras e com muitas subidas alcançamos o PC 13 na mesma colocação e já anoitecendo entramos na trilha do PC 14 numa longa e escorregadia caminhada e com o Vinicius sem luz tomando topadas toda hora. Neste trecho encontramos uns locais que também se dirigiam para a casa onde estava o PC 14 depois de um baba (pelada na Bahia) o que só fez adiantar nosso passo e chegar ao PC 14 sem erros.

Para nossa surpresa e felicidade ao assinarmos a planilha constatamos que estávamos em 2º atrás apenas da Selva, Gantuá e Oskaba ficaram para trás e tiveram alguns problemas de navegação, como mostra o GPS Track. Ai como todo corredor de aventura sabe, a adrenalina subiu e saímos para manter a posição e se possível abrir de quem vinha atrás. Valmir com uma navegação segura e perfeita foi achando as trilhas, fazendo as melhores opções onde as referencias eram mais claras e tudo foi dando certo, chegamos até ouvir os latidos dos cachorros no PC anterior num sinal que tinha gente chegando e logo atrás da gente. Conversando depois fiquei sabendo que era a Makaira que estava a 40 minutos de nós, e que segundo Gaia, a diferença ia crescendo a cada PC.

Chegamos ao PC 15 sem nenhum erro e atacamos a trilha de volta ao AT pelo PC do rapel, encontramos logo e mais uma vez sem nenhum erro fomos seguindo ela até a trilha acabar na água, pensamos logo que acharíamos a saída depois da água, fui à frente tentando localizar, mas não encontrei, embora fosse ali mesmo o caminho, voltamos e para não perder tempo atravancamos uma plantação de cacau e saímos na estrada num ponto acima da trilha e ao descermos a estrada passamos pela saída alagada certa.

Aproveitamos para ir comendo para fazer uma transição mais rápida e até demos uma corrida até o AT/PC 16, impressionar os apoios das equipes de trás faz parte, rs. Nesta chegada ao PC 16, não posso deixar de mencionar a cara que meu grande amigo Pedro Pitanga, apoio da Gantuá, fez ao nos ver chegar, primeiro de perplexidade, “Vocês viram a Gantuá por ai?” misturado com tristeza, esse torce mesmo pelo time, mas não deixando de apoiar os amigos da Papaventuras, sua 2ª equipe de coração, rs, “Vocês brocaram!!”.

Nossa vantagem na prova foi toda literalmente por água abaixo neste próximo trecho de remo. Tínhamos que achar uma entrada da Lagoa que daria em uma perna de um pequeno rio que nos levaria ao PC 17, vendo agora o GPS Track dá para ver que a primeira suspeita de Valmir estava totalmente correta, ao deparar com uma vegetação de capim e baronesas em um determinado lugar, Valmir desconfiou que poderia ser ali a entrada, chegou até mesmo a ficar em pé no caiaque para ver se enxergava no outro lado, desistimos e por uma certa insistência minha seguimos em frente na esperança de achar o braço mais a frente, paramos logo a frente e discutimos o mapa e voltamos mais uma vez para a entrada onde tinha a vegetação tampando, nesta hora a nossa vantagem tinha acabado pois encontramos com a equipe Oskaba que nos propôs seguir adiante e se não achássemos a entrada pelo menos bateríamos no PC 12 a margem e voltaríamos pelo tempo até achar a entrada, fizemos isso novamente, a Papaventuras já tinha ido muito próximo ao PC e ao voltarmos ficamos novamente em frente a vegetação que o Valmir suspeitava desde a primeira passada, ali encontramos a Makaira Millennium que estava também no local e juntos fizemos um rasga água, empurrando as baronesas e capins até achar a sequência do rio no outro lado, seria mais um “se” para depois da prova.

Remamos as 3 equipes por um longo trecho de rio e com correnteza contra até chegar ao PC 17 todos juntos, a organização cancelou para todos o PC 18, atravessamos o rio de caiaques e seguimos uma trilha indicada pelo PC sem estar plotada no mapa rumo ao PC 19.

Neste trecho de trekking ficamos o tempo todo juntos as 3 equipes, se ajudando na navegação e sem distanciar nenhuma hora de ninguém, assim batemos os PCs 19 e 20, com a Oskaba dando um tiro na frente e Papaventuras e Makaira juntas logo atrás.

Ao chegar no AT junto ao asfalto para pegar as bikes, tínhamos ultrapassado a Oskaba em algum vacilo deles, a Makaira fez uma transição relâmpago, mal respiramos e eles estavam nas bikes e só deu para ouvir a voz de Naru: Atitude!.

Fizemos a nossa um pouco mais lenta e quando estávamos saindo Oskaba estava chegando, neste momento ainda deu tempo de falar com Caco da Selva e perguntar se eles estavam muito longe, pela cara dele, não, mas ainda sim nos cumprimentou pela prova até ali e ainda disse que minha força tava vindo da calça da Selva que corria e ganhei de meu amigo Marcelo Sinoca.

Pedalamos  6 km de asfalto até o PC 21 com Oskaba nos alcançando, batemos juntos atrás da Makaira e saímos na trilha para o PC 22, neste trecho havia uma estrada que Paulinho avisou que era trilha, começava como estrada e acabava em trilha, mas o mapa sinalizava somente estrada, e deu uma explicação que confundiu tanto a Makaira quanto a Oskaba e pelos tempos tirados acho que a Selva também, a esperteza da Oskaba foi que por estarem um pouco a frente da gente ao terem dúvida neste trecho, deixou o Miguel Magnavita nos esperando e quando entramos no lugar certo bem caladinho, o Miguel viu a deu o aviso a eles, rsrs, foi ate engraçado, PC (Paulo) da Oskaba me alcançando e dizendo que tava com raiva de mim porque não lembrei eles deste detalhe, rsrs.

Batemos o PC 22 na frente da Makaira, sem ultrapassá-los, sinal que haviam errado e por incrível que pareça somente a 20 minutos da Selva, ou seja, a prova estava totalmente aberta. Depois fiquei sabendo que ao cruzar com a Makaira a Selva meio que se assustou e viu que sua margem de dianteira não era tão grande e devem ter feito muita força no final.

Para alcançar os PCs seguintes 23 e 24 foi muita subida e muita descida, neste trecho eu já estava muito cansado e cometi mais uma vez um erro que vem se repetindo em várias corridas, negligenciei a alimentação e fiquei cada vez mais sem energia, com isso Oskaba abriu da gente e mais uma vez tive a preciosa ajuda da equipe para seguir em frente, depois de um refrigerante gelado e bananinhas dei uma segurada e fiz o trecho até o asfalto me recuperando.

Uma pequena falha de direção ao atingir o asfalto logo corrigida e quando estávamos no ultimo trecho da prova, um pedal de 10 km até a chegada lá vem a Makaira atrás fazendo força e babando para nos pegar, ai o Vinicius começou a me empurrar e a adrenalina subiu muito, seria muito difícil prevê que poderia acontecer até a chegada, nas duas equipes haviam gente bem e mal fisicamente, seria totalmente aberta a classificação, mas o Gustavo encostou e propôs a chegada juntas das equipes, pelo esforço conjunto feito até ali por nós, pela ajuda desde o rasga baronesa e pela amizade também, uma rápida conferencia e uma relutância de Vinicius e talvez por algum da Makaira, resolvemos dividir a 3ª colocação da prova.

Conceitualmente é difícil para alguns entender o porquê de duas equipes abriram mão da competição naquele momento e se ajustaram para uma chegada em conjunto, mas decisões nunca são totalmente compreendidas por todos, naquele momento, acho eu, que cada um tinha seu motivo para aceitar ou não esta decisão, o reconhecimento de não estar apto a disputar, a consideração de passar por perrengues juntos, a amizade pelos membros da outra equipe, etc, etc. Por mim posso responder que estava satisfeito com o que tinha conquistado até ali, independentemente se fosse o 3º ou 4º, como meu Comandante Valmir citava, eu estava quebrando paradigmas, estava numa situação que treinei e busquei esse ano todo, andar no nível de quem sempre admirei, me ver pedalando para uma chegada a penas 7 minutos atrás da Oskaba, uma hora da Selva, ao lado da Makaira Millennium e tendo na minha equipe Valmir, Rose e Vinicius, todos eles entre os melhores e mais preparados corredores de aventura do Brasil, eu já estava no topo e por isso satisfeito com a decisão.

Agradeço de coração a minha equipe toda, Glaucia foi um apoio espetacular, embora com receio de não dar conta e tudo sozinha, resolveu todos nossos problemas e foi dez, agradeço também a ajuda da Luciana da Aventureiros do Agreste, Pedro Pitanga da Gantuá e Marcos apoio da minha equipe Olhando Aventura muito bem representada por Clóvis e Hamã que se juntava à Glaucia e viravam nossos apoios também.

A minha equipe não tenho como agradecer esta oportunidade de andar em alto nível e curtir a prova toda, Valmir zerou a navegação e nos deu total segurança para evoluir na prova sempre, sua atenção e cuidados com os integrante o faz um grande comandante, sobre a Rose não tem nada de novo, mais uma vez dei muito trabalho a ela, seja me ajudando nos empurras bike, seja obrigando a ela não deixar meu moral cair em momento algum, prometo que vamos fazer uma prova plana um dia, sem empurrar bikes e treinarei mais ainda para não lhe dar trabalho, Vinicius foi um grande companheiro, no remo, na bike e no trekking, foi uma escolha acertada, voltamos a correr depois de um longo tempo e tenho certeza que ficamos com vontade de repetir.

Obrigado aos meus apoiadores, BB Brindes, Academia Vidativa, Suum e a todos os amigos que reencontrei na prova, cada incentivo deles antes e durante a prova me deu força para terminar a Carrasco Cravo e Canela.

Arnaldo Maciel

Papaventuras

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